UE/Previsões: Portugal sem revisão em alta devido a turismo internacional

A Comissão Europeia não reviu em alta as previsões de crescimento económico para Portugal sobretudo devido ao recente aumento de casos de covid-19 e “algumas dificuldades” associadas a nível de turismo internacional, disse hoje o comissário Paolo Gentiloni.

UE/Previsões: Portugal sem revisão em alta devido a turismo internacional

UE/Previsões: Portugal sem revisão em alta devido a turismo internacional

A Comissão Europeia não reviu em alta as previsões de crescimento económico para Portugal sobretudo devido ao recente aumento de casos de covid-19 e “algumas dificuldades” associadas a nível de turismo internacional, disse hoje o comissário Paolo Gentiloni.

O comissário da Economia falava, em Bruxelas, na conferência de imprensa de apresentação das previsões económicas intercalares de verão da Comissão Europeia, que reviu hoje em alta o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro — prevendo uma subida de 4,8% este ano e de 4,5% em 2022 –, mas, para Portugal, manteve as projeções já divulgadas na primavera, em 12 de maio, de um crescimento de 3,9% este ano e de 5,1% no próximo.

Questionado sobre o motivo pelo qual as projeções de Bruxelas não são tão otimistas para Portugal, Gentiloni disse que “o principal fator” que leva a Comissão a ser mais cautelosa e a manter as projeções de maio é o facto de, antes de estas previsões macroeconómicas terem sido ‘fechadas’, já se ter observado “um aumento das infeções, algumas dificuldades no setor do turismo com países estrangeiros e também algumas medidas [restritivas] limitadas na área de Lisboa, adotadas no final do mês passado”.

De acordo com o comissário, estes desenvolvimentos recentes levam a Comissão a ter “uma previsão mais realista, diferente da do Banco de Portugal, que é mais otimista”, já que esta instituição em 16 de junho reviu em alta as suas projeções, antecipando uma subida do PIB português de 4,8% em 2021 e de 5,6% em 2022.

“A nossa previsão tem já em conta a evolução da situação que ocorreu depois e nas recentes semanas, mas estou certo de que a entrada em vigor do certificado digital covid-19 da UE contribuirá para uma melhor evolução, sobretudo em países que, como Portugal, estão fortemente ligados ao turismo internacional, e não apenas doméstico”, disse o comissário italiano

Gentiloni diz estar “absolutamente convencido” de que a Europa terá “uma época turística forte” este verão, mas admitiu que “será diferenciado entre os diferentes sistemas de turismo, e o que terá mais dificuldades em recuperar é claramente aquele ligado ao turismo internacional”, o que acontece em “certas regiões de Itália, mas especialmente em países como Grécia e Portugal”.

A Comissão Europeia manteve hoje as projeções para o ritmo de recuperação da economia portuguesa, estimando, tal como na primavera, um crescimento de 3,9% este ano e de 5,1% no próximo, considerando que “a economia portuguesa está no bom caminho para uma boa recuperação a partir do segundo trimestre de 2021”, apesar de o ritmo da retoma ter sido atenuado pelo restabelecimento parcial de restrições temporárias em junho devido ao aumento de casos de covid-19.

O executivo comunitário estima, no entanto, que, depois de um recuo de 3,2% no primeiro trimestre do ano devido a um confinamento rigoroso, o PIB português crescerá 3,3% no segundo trimestre e registará um novo aumento no terceiro trimestre, com o esperado aumento do turismo estrangeiro no país, ajudado pela campanha de vacinação na Europa e pelo lançamento do certificado digital covid-19 da UE.

Estas previsões ficam ainda assim aquém das projeções do Governo, que confia num crescimento acima da sua própria previsão de 4% inscrita no Programa de Estabilidade, bem como da mais recente previsão do Banco de Portugal, que em 16 de junho reviu em alta as suas projeções, antecipando uma subida do PIB de 4,8% em 2021 e de 5,6% em 2022.

De acordo com a Comissão Europeia, os indicadores positivos relativamente a uma boa retoma da económica portuguesa são desde já visíveis “no forte aumento do Indicador de Sentimento Económico da Comissão e nos dados concretos para as vendas a retalho, produção industrial e volume de negócios do setor dos serviços”.

A Comissão adverte, contudo, que “os riscos permanecem inclinados para o lado negativo, devido à grande exposição do país ao turismo estrangeiro”, ainda que admitindo que tal agora é “largamente compensado por riscos ascendentes no setor da produção, que pode beneficiar ainda mais dos ventos favoráveis da procura global”.

ACC // CSJ

By Impala News / Lusa

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