UE/Presidência: Elisa Ferreira defende que a democracia deve traduzir-se em “igualdade de acesso”

A comissária europeia para a Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, defendeu hoje que a democracia deve traduzir-se em “igualdade de acesso”, sublinhando a importância do Pilar Europeu dos Direitos Sociais e uma preocupação especial com as crianças.

UE/Presidência: Elisa Ferreira defende que a democracia deve traduzir-se em

UE/Presidência: Elisa Ferreira defende que a democracia deve traduzir-se em “igualdade de acesso”

A comissária europeia para a Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, defendeu hoje que a democracia deve traduzir-se em “igualdade de acesso”, sublinhando a importância do Pilar Europeu dos Direitos Sociais e uma preocupação especial com as crianças.

Intervindo na abertura da Cimeira das Democracias, promovida pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa (IEP-UCP), consagrada à presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), Elisa Ferreira assinalou que “a democracia também passa por igualdade de acesso”.

A comissária, que respondia a uma questão sobre a ligação entre a democracia e a UE, “a democracia é o conjunto de princípios que nos une” e, nesse sentido, “também se materializa quando damos oportunidades equivalentes às pessoas, independentemente do sítio onde elas nascem”.

Notando que “o PIB per capita em algumas regiões da Europa é 32% da média [europeia], mas noutras é 260% da média”, Elisa Ferreira considera que são estes “desequilíbrios” que tornam “difícil” a materialização da democracia.

“Porque nuns sítios temos, de facto, uma qualidade de vida e um acesso dos jovens brutal e, noutros sítios, temos uma exclusão, à partida, à nascença”, reforçou.

Por isso é “importante haver um Pilar Social no centro da agenda da presidência portuguesa”, que estará em discussão na Cimeira Social do Porto, em 07 e 08 de maio, e que a comissária “gostaria muito de ter no centro da agenda uma preocupação com as crianças”.

“Quando uma criança é abrangida ou é afetada por uma síndrome de pobreza, isso determina a qualidade da sua participação cívica para o resto da vida”, apontou, alertando para o “aumento brutal” dos índices de pobreza das famílias devido à crise provocada pela pandemia de covid-19.

Elisa Ferreira alertou, por outro lado, para o risco de exclusão das pessoas das decisões políticas, pedindo “muito cuidado” com a aposta na digitalização, de modo a não criar uma “segmentação” de algumas pessoas que não conseguem funcionar no mundo digital.

“Este é apenas um aspeto, há muitos, mas quando as pessoas se sentem excluídas dizem ‘o sistema não me inclui, eu também não quero saber dele’. E, num ambiente em que estão todas as pessoas a sofrer psicologicamente, economicamente, socialmente e humanamente medos horríveis, a propensão a ir buscar qualquer enunciador, qualquer profeta de manhãs que sorriem, sem lhe perguntar qual é o conteúdo e sem testar exatamente o que é que está a ser oferecido, é muito fácil”, argumentou.

A comissária pediu “lucidez” para, perante os problemas, “procurar quem nos oferece soluções credíveis e sérias e não quem apenas apresenta críticas”.

Elisa Ferreira participou hoje numa iniciativa de simulação da “Cimeira das Democracias”, organizada pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica de Lisboa, que convida alunos de ensino secundário a debaterem a atualidade política e a democracia a nível mundial.

Na sessão, participaram ainda o Representante Permanente de Portugal junto da UE, o embaixador Nuno Brito, e o ex-presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

JAYG // MDR

By Impala News / Lusa

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