UE/Cimeira: Desvio de voo foi incidente de uma “gravidade sem precedentes” — Sassoli

O presidente do Parlamento Europeu (PE) qualificou hoje o desvio de um voo comercial da Ryanair entre a Grécia e a Lituânia como sendo de uma “gravidade sem precedentes”, apelando a uma resposta “unida” da UE.

UE/Cimeira: Desvio de voo foi incidente de uma

UE/Cimeira: Desvio de voo foi incidente de uma “gravidade sem precedentes” — Sassoli

O presidente do Parlamento Europeu (PE) qualificou hoje o desvio de um voo comercial da Ryanair entre a Grécia e a Lituânia como sendo de uma “gravidade sem precedentes”, apelando a uma resposta “unida” da UE.

“Os incidentes de ontem [domingo] no que se refere à aterragem forçada de um voo da Ryanair em Minsk, que viajava de Atenas (Grécia) para Vílnius (Lituânia), são de uma gravidade sem precedentes”, afirmou David Sassoli.

As declarações do presidente do PE foram feitas durante a sua intervenção na cimeira extraordinária dos líderes da União Europeia (UE), a primeira a decorrer presencialmente em Bruxelas desde o início do ano, e em que, entre outros temas, os chefes de Estado e de Governo do bloco irão discutir as tensões com a Bielorrússia e com a Rússia.

O debate sobre a Bielorrússia ocorre após, no domingo, o Presidente do país, Alexander Lukashenko, ter ordenado o desvio de um voo da companhia aérea irlandesa Ryanair, que viajava de Atenas para Vílnius, fazendo-o aterrar no aeroporto de Minsk, culminando na detenção do jornalista bielorrusso Roman Protasevich, que se encontrava no avião.

Apelando a que a UE dê uma “resposta forte, imediata e unida” face à Bielorrússia, Sassoli afirmou que os líderes dos 27 têm a “grande responsabilidade” de mostrar que o bloco “não é um tigre de papel”.

“Uma investigação internacional é sem dúvida necessária para verificar se o transporte aéreo e a segurança dos passageiros foram comprometidas por um Estado soberano e para ver se houve uma violação da Convenção de Chicago”, sublinhou Sassoli, referindo-se ao tratado que estipula as regras do tráfego aéreo.

Abordando ainda a detenção do jornalista bielorrusso Roman Protasevich e da sua namorada Sofia Sapega, o presidente do PE afirmou também que a UE “exige a sua libertação imediata e incondicional e a possibilidade de saírem do país”.

Numa cimeira em que as relações externas da UE irão ter um lugar de destaque nas discussões entre os líderes, Sassoli acrescentou que, no “cenário internacional atual”, a União Europeia (UE) precisa “agora mais do que nunca” de uma “voz europeia forte e comum”.

Afirmando que a democracia “é frágil” e que, caso não seja protegida, “pode desmoronar-se mais rápido do que se ousa imaginar”, Sassoli sublinhou que se está a assistir a “um aumento da desinformação, de provocações dirigidas a Estados-membros e ao conjunto da UE, e de regimes autoritários que estão a explorar a crise para silenciar vozes críticas e limitar a liberdade de imprensa”.

“Neste momento de mudança, a UE deve redefinir e fortalecer o seu papel no cenário mundial. Um ataque num Estado-membro é um ataque a todos nós e, na realidade, a segurança de um é a segurança de todos”, sublinhou Sassoli.

O jornalista Roman Protasevich, de 26 anos, cujo canal Nexta na rede social Telegram se tornou a principal fonte de informação nas primeiras semanas de protestos antigovernamentais após as eleições presidenciais de agosto de 2020, viajava de Atenas para Vílnius.

Protasevich acabou detido pelas autoridades bielorrussas, quando os cerca de 120 passageiros do avião da Ryanair foram forçados a submeter-se a novo controlo em Minsk devido a um suposto aviso de bomba.

O avião da Ryanair fazia um voo entre a Grécia e a Lituânia, dois países-membros da NATO e da UE.

As relações externas dominam assim a agenda do Conselho Europeu que decorre entre hoje e terça-feira, o primeiro realizado presencialmente este ano em Bruxelas, o que permitirá designadamente aos líderes abordar assuntos sensíveis, como a Rússia.

A esta agenda juntou-se uma discussão sobre o desvio pela Bielorrússia do voo da Ryanair, tendo já o regime bielorrusso descartado ingerência neste incidente.

O Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, colocou este incidente na agenda de hoje, visando a aplicação de pesadas sanções à Bielorrússia, além das já existentes (de, por exemplo, congelamento de bens) contra o Presidente bielorrusso, Alexsander Lukashenko, e opressores do regime.

TEYA/ANE/ACC // EL

By Impala News / Lusa

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