UE diz que confirmação da pena de Mladic põe fim a julgamento “chave” da história europeia

A União Europeia (UE) disse hoje que a confirmação da pena de prisão perpétua para o ex-líder militar dos sérvios na Bósnia Ratko Mladic, condenado por crimes de guerra, põe fim a um julgamento “chave” da história recente europeia.

UE diz que confirmação da pena de Mladic põe fim a julgamento

UE diz que confirmação da pena de Mladic põe fim a julgamento “chave” da história europeia

A União Europeia (UE) disse hoje que a confirmação da pena de prisão perpétua para o ex-líder militar dos sérvios na Bósnia Ratko Mladic, condenado por crimes de guerra, põe fim a um julgamento “chave” da história recente europeia.

“A sentença final no caso de Ratko Mladic (…) põe fim a um julgamento chave na história recente da Europa, por crimes de guerra, incluindo genocídio, que ocorreram na Bósnia-Herzegovina”, declararam o Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josep Borrell, e o comissário responsável pela Vizinhança e o Alargamento, Olivér Várhelyi, num comunicado conjunto.

O Mecanismo para os Tribunais Penais Internacionais (MTPI), instância de recurso, rejeitou hoje todas as alegações apresentadas pela defesa de Ratko Mladic, também conhecido como o “carniceiro da Bósnia”, e confirmou a pena de prisão perpétua para o ex-general, de 78 anos.

O ex-líder militar foi condenado em primeira instância em 2017, nomeadamente pelo massacre em Srebrenica (Bósnia), o pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, considerado como um ato de genocídio pela justiça internacional e onde morreram cerca de 8.000 homens e rapazes muçulmanos.

Ratko Mladic também foi considerado culpado de crimes de guerra e contra a humanidade pelo seu papel na guerra da Bósnia (1992/1995).

O ex-líder militar sérvio foi detido em 26 de maio de 2011 na aldeia de Lazarevo, no norte da Sérvia, após 16 anos em fuga.

“Este julgamento vai contribuir para curar as feridas de todos os que sofreram”, disseram ainda Borrell e Várhelyi, na nota conjunta.

Na mesma linha de pensamento, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, assegurou que a deliberação de hoje “é mais um passo importante para fazer justiça às vítimas” e que ajudará a todos “a deixar para trás o passado doloroso e a colocar o futuro em primeiro lugar”.

A UE exortou ainda “todos os atores políticos” na Bósnia-Herzegovina e nos Balcãs Ocidentais a cooperarem com os tribunais internacionais e a respeitarem as respetivas decisões.

“A negação do genocídio, o revisionismo e a glorificação de criminosos de guerra contradizem os valores europeus mais fundamentais”, frisaram ainda Josep Borrell e Olivér Várhelyi.

“A decisão de hoje é uma oportunidade para os líderes da Bósnia-Herzegovina, e perante os factos, conduzirem o caminho para homenagear as vítimas e promover um ambiente favorável à reconciliação”, acrescentaram o chefe da diplomacia europeia e o comissário, recordando que este é um dos requisitos para uma futura e eventual integração do país no bloco comunitário.

Outra reação europeia surgiu da Alemanha, com o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, a afirmar-se “aliviado” com a confirmação da pena de Mladic por parte do MTPI, instância com sede em Haia (Países Baixos), frisando ainda que a lei “triunfou”.

“Espero que isto seja uma consolação para as vítimas e sobreviventes”, acrescentou Heiko Maas, numa mensagem publicada na rede social Twitter.

SCA // EL

By Impala News / Lusa

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