Ucrânia: Portugal continuará a apoiar Kiev até que recupere a soberania total – MNE

O chefe da diplomacia portuguesa, João Gomes Cravinho, garantiu hoje que Portugal continuará a apoiar e a solidarizar-se com a Ucrânia até que as autoridades de Kiev recuperem a totalidade da soberania do país, invadido pela Rússia.

Ucrânia: Portugal continuará a apoiar Kiev até que recupere a soberania total - MNE

Ucrânia: Portugal continuará a apoiar Kiev até que recupere a soberania total – MNE

O chefe da diplomacia portuguesa, João Gomes Cravinho, garantiu hoje que Portugal continuará a apoiar e a solidarizar-se com a Ucrânia até que as autoridades de Kiev recuperem a totalidade da soberania do país, invadido pela Rússia.

Cravinho falava à agência Lusa no final da assinatura de um Memorando de Entendimento entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros de Portugal e da Polónia sobre ajuda humanitária e assistência à Ucrânia, no valor de 30 milhões de euros, destinado a apoiar o orçamento polaco para acudir aos cerca de 3,5 milhões de refugiados ucranianos em solo polaco.

“Portugal continuará a apoiar e a solidarizar-se com a Ucrânia até que as autoridades de Kiev recuperem totalmente a soberania territorial”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros português, salientando que Portugal tem atuado em quatro vertentes no apoio ao conflito desencadeado pela invasão russa, a 24 de fevereiro.

“Temos a vertente política, com os apoios institucionais e formais nas organizações internacionais; o militar, já enviámos centenas de toneladas em equipamento militar; o financeiro, no valor de 250 milhões de euros, anunciados durante a visita do primeiro-ministro [português, António Costa] a Kiev; e o humanitário, pois já acolhemos mais de 55 mil refugiados ucranianos”, sublinhou Cravinho.

O chefe da diplomacia lembrou, nesse contexto, o prosseguimento do esforço humanitário com o voo que chega hoje a Lisboa com 170 refugiados ucranianos a bordo e que, algumas horas depois, parte para a Moldova com 15 toneladas de bens de primeira necessidade, como aquecedores, geradores, produtos de higiene, entre outros, para depois serem transportados por camiões humanitários até Kiev, onde serão distribuídos pela população em função das necessidades identificadas.

“Portugal é um dos países cuja população mais apoia, acima dos 90%, de forma consistente, a crise de refugiados da Ucrânia. Ao darmos todos este apoio, estamos a demonstrar isso mesmo, a solidariedade da população portuguesa”, sublinhou.

O memorando de entendimento foi assinado pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros português, Francisco André, e pela embaixadora da Polónia em Lisboa, Joanna Pilecka, que, também à Lusa, agradeceu o esforço de Portugal no apoio às autoridades polacas.

“São dois países longe um do outro, mas próximos na solidariedade e no apoio humanitário na trágica invasão russa da Ucrânia. [Os 30 milhões de euros] são uma oferta generosa à Polónia que, para nós, tem três dimensões: o apoio aos 3,5 milhões de refugiados ucranianos na Polónia, o apoio a todo o suporte logístico da ajuda à Ucrânia e também como doador”, frisou a diplomata polaca.

“Mas o que gostaria de sublinhar é que, para nós, Polónia, onde 77% da população apoia os refugiados desta tragédia no nosso vizinho, este gesto de Portugal não tem só um valor simbólico, mas também a determinação em ajudar. Quero deixar aqui a gratidão do meu país”, acrescentou.

Também em declarações à Lusa, o encarregado de negócios da Embaixada da Ucrânia em Lisboa, Volodymyr Kazlov, mostrou “gratidão” ao apoio que Portugal tem dado “à invasão russa”, salientando o número “elevado” de refugiados ucranianos, cerca de 55 mil. 

Kazlov sublinhou esperar que a guerra acabe com a vitória da Ucrânia em 2023 e saudou o facto de Portugal e a Polónia serem “amigos” do país, sublinhando esperar que, no próximo ano também, o país possa tornar-se membro da União Europeia (UE).

“Gostaria de agradecer a todo o povo português toda a ajuda nesta situação difícil. Muitos portugueses entregam muitos bens na embaixada [da Ucrânia em Lisboa], até geradores, pois sabem da situação energética dramática que se vive na Ucrânia. Por isso, o memorando de entendimento testemunha a nossa amizade com os dois países e espero que, em 2023, quando ganharmos a guerra, possamos dar um impulso ainda maior a essa amizade”, afirmou.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas — 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas. 

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By Impala News / Lusa

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