Ucrânia: G7 e Comissão Europeia pressionam Plano Marshall imediato e supervisionado

A presidência alemã do G7 e a Comissão Europeia fomentaram hoje, em Berlim, o avanço de um Plano Marshall para a Ucrânia, sem esperar pelo fim da guerra e dependendo de Kiev desenvolver algumas reformas “verificáveis”.

Ucrânia: G7 e Comissão Europeia pressionam Plano Marshall imediato e supervisionado

Ucrânia: G7 e Comissão Europeia pressionam Plano Marshall imediato e supervisionado

A presidência alemã do G7 e a Comissão Europeia fomentaram hoje, em Berlim, o avanço de um Plano Marshall para a Ucrânia, sem esperar pelo fim da guerra e dependendo de Kiev desenvolver algumas reformas “verificáveis”.

“Nunca é cedo para iniciar a tarefa de reconstrução”, disse o chanceler alemão, Olaf Scholz, na Conferência Internacional para a Reconstrução e Modernização da Ucrânia, um fórum que dá sequência ao que se realizou em julho em Lugano, na Suíça.

Scholz, coanfitrião do encontro, enquanto líder do país que tem a presidência rotativa do grupo dos países mais industrializados (G7), com a Presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, sublinhou que não se trata de uma conferência de “doadores”, mas de uma nomeação destinada a dar uma estrutura sólida e duradoura à ajuda internacional de que a Ucrânia necessita a curto, médio e longo prazo.

Bruxelas, tal como Berlim, estima em pelo menos 3.000 milhões de euros, podendo aumentar até 5.000 milhões, o défice financeiro mensal que a Ucrânia arrasta como resultado da guerra.

A UE está disposta a suportar um terço desse custo, que representará cerca de 18.000 milhões para todo o ano de 2023.

“A reconstrução da Ucrânia não pode esperar pelo fim da guerra. A Ucrânia precisa de apoio aqui e agora para pagar os salários dos seus professores, dos seus soldados, dos seus polícias ou as pensões”, defendeu Ursula von der Leyen.

Esse buraco financeiro da Ucrânia ascenderá a 5.000 milhões de euros por mês se a Rússia intensificar os seus ataques a infraestruturas, especialmente à energia, disse a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.

O FMI, tal como a CE e o Banco Europeu de Investimento (BEI), já estão a trabalhar num programa geral para regular o apoio que, sublinhou Georgieva, será sujeito a uma “supervisão rigorosa”.

“A Ucrânia deu uma lição de coragem ao resistir à Rússia. O FMI apoia e continuará a apoiar o país (…) mas esse apoio impõe poder seguir para onde vai cada euro que lhe é atribuído”, lembrou a responsável do FMI.

“Mostrámos a nossa capacidade de resistir, o Parlamento e a administração continuam a funcionar, apesar das devastações da guerra. Estamos em condições de levar a cabo tanto a modernização como as reformas que os investidores privados e as instituições internacionais exigem”, afirmou, por seu turno o ministro ucraniano do Desenvolvimento Territorial e Local, Oleksii Chernyshov.

O presidente do BEI, Werner Hoyer, sublinhou também a necessidade de regularizar um mecanismo de apoio para que a Ucrânia possa enfrentar o défice orçamental mensal gerado pela guerra.

O BEI quebrou a sua colaboração com a Rússia na sequência da anexação da Crimeia, recordou Hoyer, e agora centra os seus esforços na procura de apoio à Ucrânia também do setor privado, algo que, advertiu, não pode funcionar sem a devida segurança jurídica para esses investidores.

A necessidade de a Ucrânia levar a cabo reformas “verificáveis” pairou sobre a Conferência desde a sua abertura, tanto por representantes da Ucrânia como por organismos internacionais.

O primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, ratificou o compromisso de levar a cabo as reformas exigidas pela União Europeia (UE), incluindo garantias de transparência e de luta contra a corrupção.

Kiev está empenhado numa “rápida implementação das reformas em curso”, disse Shmyhal, que abriu e encerrou a conferência ao lado de Scholz e Von der Leyen.

Entre essas reformas estão as que visam proporcionar aos investidores internacionais a segurança jurídica “de acordo com as normas da UE”, referiu Shmyhal, bem como a reforma da legislação aduaneira e laboral.

Numa intervenção virtual, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, defendeu que “a comunidade internacional e as suas instituições devem contribuir para a reconstrução da Ucrânia. E isso deve ocorrer em condições de transparência de acordo com as normas internacionais”.

O Japão assumirá em 2023 a presidência rotativa do G7 — grupo composto pelos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, a Alemanha Itália, França e Japão.

Também em formato virtual, o Presidente da Indonésia, Joko Widodo, país que preside ao G20, o grupo de potências industriais e emergentes, no qual a Rússia ainda está integrada, frisou que “a paz é o elemento prioritário para que se possa considerar uma reconstrução que, além disso, deve ser bem definida”.

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By Impala News / Lusa

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