Ucrânia: EUA admitem que Rússia é “problema” para Conselho de Segurança da ONU

O chefe da diplomacia norte-americana, Anthony Blinken, reconheceu hoje que a Rússia é um “problema” para o Conselho de Segurança das Nações Unidas e que este não será resolvido até que Moscovo mude de atitude.

Ucrânia: EUA admitem que Rússia é

Ucrânia: EUA admitem que Rússia é “problema” para Conselho de Segurança da ONU

O chefe da diplomacia norte-americana, Anthony Blinken, reconheceu hoje que a Rússia é um “problema” para o Conselho de Segurança das Nações Unidas e que este não será resolvido até que Moscovo mude de atitude.

Blinken falava com jornalistas russos, quando foi questionado sobre o discurso proferido na terça-feira pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que criticou a passividade do Conselho de Segurança perante a ofensiva russa e pediu uma “reforma imediata” do órgão.

“Bem, o presidente Zelensky está certo de que há um problema com o Conselho de Segurança. Há um problema fundamental quando um de seus membros permanentes, cuja responsabilidade número um é manter a paz e a segurança internacionais, é o mesmo país que está a violar grosseiramente a paz e a segurança internacionais com sua agressão à Ucrânia, e isso é a Rússia. Portanto, há um problema bastante fundamental aí”, disse Blinken.

Contudo, segundo o secretário de Estado norte-americano destacou que as Nações Unidas se têm “unido poderosamente em apoio à Ucrânia e contra a agressão russa”, realçando os 141 países votaram a favor de uma resolução apresentada na Assembleia-Geral das Nações Unidas em março que condenava a invasão russa da Ucrânia.

“Então, acho que a própria ONU está a intensificar-se, também no Conselho de Direitos Humanos, onde foi criada uma Comissão de Inquérito para investigar os abusos cometidos pela Rússia e pela Ucrânia”, avaliou.

“Mas o próprio Conselho de Segurança tem um problema que é um verdadeiro desafio, e a menos que a Rússia atue como um membro responsável desse conselho, o problema permanecerá”, frisou Blinken.

Para tentar garantir que a Rússia seja responsabilizada pelos seus atos, o líder ucraniano pediu na terça-feira uma reforma imediata do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que permita ao organismo ser “realmente eficaz” e “garantir a paz”, sublinhando que “é hora de transformar a estrutura das Nações Unidas”.

“Temos de fazer tudo o que está nas nossas mãos para dar às futuras gerações uma ONU eficaz”, disse Zelensky, numa reunião do Conselho de Segurança em que foi abordado o massacre à cidade ucraniana de Bucha.

Zelensky também pediu a exclusão da Rússia do Conselho de Segurança, do qual é um dos cinco membros permanentes e onde tem poder de veto, que tem usado para travar resoluções contrárias às pretensões russas.

Na presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, Zelensky pediu “decisões do Conselho de Segurança para a paz na Ucrânia”.

“Se não sabem como tomar essa decisão, podem fazer duas coisas: ou excluir a Rússia como agressora e iniciadora da guerra para que ela não bloqueie as decisões relacionadas com a sua própria agressão (…) ou, por favor, mostrar que podemos reformar ou mudar (…). Se não houver alternativa e opção, a próxima opção seria uma dissolução conjunta”, declarou o Presidente ucraniano.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.563 civis, incluindo 130 crianças, e feriu 2.213, entre os quais 188 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,2 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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By Impala News / Lusa

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