Ucrânia: Crimes de guerra parecem não constituir tabu para forças russas – MNE

O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, disse hoje que o mundo deve estar preparado para mais revelações de atrocidades na guerra na Ucrânia, observando que “crimes de guerra parecem não ser algo tabu para as forças russas”.

Ucrânia: Crimes de guerra parecem não constituir tabu para forças russas - MNE

Ucrânia: Crimes de guerra parecem não constituir tabu para forças russas – MNE

O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, disse hoje que o mundo deve estar preparado para mais revelações de atrocidades na guerra na Ucrânia, observando que “crimes de guerra parecem não ser algo tabu para as forças russas”.

Em declarações à imprensa em Bruxelas no final de uma reunião de dois dias dos chefes de diplomacia da NATO, que contou hoje com a participação do ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, Gomes Cravinho sublinhou igualmente que todos devem estar preparados para uma guerra mais prolongada do que se antecipava há algumas semanas, também devido às atrocidades cometidas pelo exército russo, que criam “ainda mais dificuldades no caminho para a paz”.

“Tivemos uma reunião muito interessante com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, que nos transmitiu a realidade no terreno, que, infelizmente, não é muito positiva. Não temos boas notícias a vir da Ucrânia, nomeadamente sobre a postura russa, e devemos estar a esse respeito preparados para mais terríveis notícias como tivemos em Bucha”, disse.

Gomes Cravinho observou que “há, nomeadamente, fortes indícios de que vamos ter mais revelações de atrocidades, de violações, de crimes de guerra”, comentando que “naturalmente isso cria ainda mais dificuldades no caminho para a paz”.

“A nossa convicção é que todos esses indícios devem ser conhecidos, devem ser investigados e devem ser castigados”, afirmou.

Questionado sobre se as atrocidades que começam a ser reveladas impossibilitam uma solução diplomática para o conflito, o ministro dos Negócios Estrangeiros português respondeu que “não é impossível” um acordo negociado, sendo, aliás, essa a única forma de pôr cobro a esta guerra.

“Esta guerra acabará com negociação, a questão é quando. Tem de haver sempre disponibilidade para uma solução diplomática. O que nós vemos da parte da Rússia é que essa disponibilidade não existe”, disse, observando que, “pelo contrário”, aquilo que existe é “uma grande indiferença em relação às leis da guerra”.

“O que nós vimos em Bucha e os indícios que começam a surgir de outras partes da Ucrânia é que da parte da liderança russa não há indicação de que as suas forças armadas devam seguir as regras da guerra. Ou seja, crimes de guerra parecem não ser algo tabu para as forças russas, e claro que isto é profundamente preocupante, também em termos de encontrar uma solução”, declarou.

Ainda questionado sobre as declarações do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, que alertou à entrada para a reunião ministerial que a guerra na Ucrânia pode prolongar-se por “meses ou mesmo anos”, João Gomes Cravinho disse recear que esse possa ser o caso, mas sublinhou que há uma forte convicção entre todos os Aliados de que a NATO vai “continuar a apoiar a Ucrânia” o tempo que for necessário.

“Sim, acredito que sim. Tivemos oportunidade de dialogar com muitos colegas e com o próprio ministro Kuleba. Por um lado, existe uma forte convicção, do lado dos Aliados, de que teremos de continuar a apoiar a Ucrânia pelo tempo que for necessário. Por outro lado, a convicção de que provavelmente esse tempo será mais prolongado do que imaginávamos há umas semanas”, concluiu.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.563 civis, incluindo 130 crianças, e feriu 2.213, entre os quais 188 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais mais de 4,3 milhões para os países vizinhos.

ACC (IG) // SCA

By Impala News / Lusa

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