Ucrânia: Agência da ONU preocupada com segurança na maior central da Europa

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) admitiu hoje estar preocupado com a central nuclear de Zaporijia, controlada pela Rússia, à qual a agência da ONU não tem acesso desde a invasão da Ucrânia.

Ucrânia: Agência da ONU preocupada com segurança na maior central da Europa

Ucrânia: Agência da ONU preocupada com segurança na maior central da Europa

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) admitiu hoje estar preocupado com a central nuclear de Zaporijia, controlada pela Rússia, à qual a agência da ONU não tem acesso desde a invasão da Ucrânia.

“Está no topo da minha lista de preocupações quando se trata da situação das instalações nucleares na Ucrânia”, disse Rafael Grossi numa conferência de imprensa na sede da AIEA, em Viena, citado pela agência francesa AFP.

A central “ainda está sob controlo russo, o regulador ucraniano não tem qualquer controlo, pelo que temos de fazer uma série de tarefas o mais rapidamente possível, tanto em termos de atividades de inspeção, monitorização e segurança”, disse Grossi.

“Temos de voltar a Zaporijia, é extremamente importante”, insistiu o chefe da AIEA.

Situada no sul da Ucrânia, a central nuclear de Zaporijia é a maior da Europa e está sob controlo das forças russas que invadiram a Ucrânia.

Grossi disse que a AIEA recebeu vídeos sobre o sobrevoo da central por mísseis a baixa altitude, esta semana, denunciado pelas autoridades ucranianas.

“Estamos a verificar, mas se tal desenvolvimento for confirmado, seria muito grave”, afirmou.

Após regressar de uma visita a Chernobyl, Grossi disse que a radiação detetada em escavações feitas por soldados russos na chamada zona de exclusão da central desativada é seis vezes maior do que o normal.

No entanto, esse nível de radiação, registado na quarta-feira, é três vezes inferior ao limite permitido para os funcionários das instalações da central nuclear desativada, segundo Grossi.

“Não temos confirmação de exposição perigosa à radioatividade”, disse, citado pela agência espanhola EFE.

A central de Chernobyl, 150 quilómetros a norte de Kiev, foi ocupada por militares russos em 24 de fevereiro, o primeiro dia da invasão da Ucrânia, e teve então uma paragem da rede de energia e comunicações.

Os soldados russos retiraram-se em 31 de março e, desde então, a situação voltou gradualmente à normalidade, de acordo com os relatórios diários da AIEA, com base em informações do regulador ucraniano.

Após a retirada russa, surgiram relatos de exposição radioativa alegadamente letal para os soldados que se encontravam na zona de exclusão.

“Nunca recomendaria a ninguém que aí fizesse escavações, isso era aparentemente uma ordem militar. Mas não é um lugar para um piquenique ou para uma escavação”, comentou Grossi.

A missão de peritos liderada por Grossi entregou instrumentos de medição e restabeleceu as ligações telemáticas entre a central de Chernobyl e a sede da AIEA, em Viena.

“Fomos lá para mudar uma antena. Desde esta manhã, temos recebido novamente informações do local”, explicou Grossi, que tem vindo a alertar para os perigos nucleares nas zonas de combate ucranianas desde o início da guerra.

Chernobyl foi o local do maior acidente nuclear da história, ocorrido em 26 de abril de 1986, quando a explosão de um reator contaminou grande parte da Europa, mas especialmente a Ucrânia, a Rússia e a Bielorrússia, que integravam a então União Soviética.

A denominada zona de exclusão corresponde a um território num raio de 30 quilómetros em redor da central que ainda está fortemente contaminado, pelo que é proibido ali viver permanentemente.

Depois de visitar Chernobyl na terça-feira, no dia do 36.º aniversário do acidente, Grossi reuniu-se em Kiev com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Grossi pretende reunir-se com funcionários nucleares russos nos próximos dias e semanas, depois de ter estado com autoridades nucleares e políticas ucranianas.

Desconhece-se o número de vítimas da guerra na Ucrânia, iniciada há 64 dias, quando a Rússia invadiu o país vizinho para o “desmilitarizar” e “desnazificar”, como anunciou na altura o Presidente russo, Vladimir Putin.

A ONU confirmou a morte de cerca de 2.800 civis, mas tem alertado para a probabilidade de o número real ser muito superior.

PNG (ANP) // SCA

By Impala News / Lusa

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