Tribunal mantém pena de 25 anos para herói do filme “Hotel Ruanda”

O Tribunal de Recurso do Ruanda confirmou hoje a condenação a 25 anos de prisão por “terrorismo” do opositor Paul Rusesabagina, que ficou famoso pelo filme “Hotel Ruanda”, rejeitando o recurso do Ministério Público, que pedia prisão perpétua.

Tribunal mantém pena de 25 anos para herói do filme

Tribunal mantém pena de 25 anos para herói do filme “Hotel Ruanda”

O Tribunal de Recurso do Ruanda confirmou hoje a condenação a 25 anos de prisão por “terrorismo” do opositor Paul Rusesabagina, que ficou famoso pelo filme “Hotel Ruanda”, rejeitando o recurso do Ministério Público, que pedia prisão perpétua.

“Tendo em conta que é um réu primário, o tribunal considera que a sua pena não deve ser agravada porque os 25 anos que obteve estão conformes ao peso dos seus crimes e o tribunal mantém a pena”, declarou o juiz, François Regis Rukundakuvuga.

Conhecido por ser um forte opositor do Presidente do Ruanda, Paul Kagame, Rusesabagina fora condenado em setembro a 25 anos de prisão por ter “fundado e pertencido” à Frente de Libertação Nacional (FLN), braço armado do seu partido Movimento de Ruanda para a Mudança Democrática (MRCD, na sigla em francês), acusado de ter realizado ataques mortíferos no Ruanda entre 2018 e 2019.

O Ministério Público, que tinha pedido a prisão perpétua, recorreu da sentença, para tentar agravar a pena.

Recorreu ainda das penas a que foram condenados os restantes 20 réus, de três a 20 anos de prisão.

Paul Rusesabagina, de 67 anos, e a sua família sempre negaram as acusações e denunciaram um processo político.

O réu não esteve presente na leitura da sentença e a sua família, que tem alertado para o seu estado de saúde, anunciou em meados de janeiro que Rusesabagina não participaria “na encenação do recurso de um preso político”.

O acusado e os seus advogados já tinham boicotado a maioria das audiências do julgamento em primeira instância, denunciando um processo “político” e maus-tratos em detenção.

Rusesabagina, cidadão belga com residência permanente nos Estados Unidos da América, está detido no Ruanda desde agosto de 2020, depois de o avião em que viajava e que o deveria levar até ao vizinho Burundi ter pousado em Kigali.

Embora o governo ruandês afirme que a sua detenção foi legal, a família e os advogados denunciaram que o ex-gerente hoteleiro foi sequestrado e submetido a uma extradição extraordinária do Dubai para o Ruanda.

Paul Rusesabagina é conhecido mundialmente por ter sido o gerente do Thousand Hills Hotel em Kigali, onde abrigou mais de mil tutsis e hutus moderados para os salvar da morte durante o genocídio de 1994, eventos que inspiraram o filme “Hotel Ruanda” (2004).

Mais tarde, o ex-gerente tornou-se um opositor fortemente crítico do Presidente Paul Kagame, que governa o Ruanda desde 2000.

Num vídeo colocado na rede social YouTube, em 2018, Rusesabagina disse que “o povo de Ruanda não pode mais suportar a crueldade e os maus-tratos” e pediu “apoio incondicional” à FLN para “conseguir uma mudança no país”, que reconheceu não ter sido ainda possível “com meios políticos”.

Em julho de 2018, cinco meses antes da publicação do vídeo, o porta-voz do MRCD, Callixte Nsabimana Sankara, anunciou que o seu partido já havia começado a lutar para derrubar o Presidente Kagame e atribuiu a morte de dois civis no sudoeste do Ruanda à FLN.

O genocídio de 1994 começou em 07 de abril, após o assassínio no dia anterior dos Presidentes do Ruanda, Juvénal Habyarimana, e do Burundi, Cyprien Ntaryamira, ambos da etnia hutu, quando o avião em que viajavam foi abatido sobre Kigali.

A violência que então irrompeu provocou a morte de cerca de 800.000 tutsis e hutus moderados em cerca de cem dias, um dos piores massacres étnicos da história recente.

FPA (EL) // LFS

By Impala News / Lusa

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