Trabalhadores das IPSS exigiram hoje atualização salarial digna

Os trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) exigiram hoje, em Lisboa, a atualização dos seus salários que afirmam estar a ser negada “com a complacência do Governo”.

Trabalhadores das IPSS exigiram hoje atualização salarial digna

Trabalhadores das IPSS exigiram hoje atualização salarial digna

Os trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) exigiram hoje, em Lisboa, a atualização dos seus salários que afirmam estar a ser negada “com a complacência do Governo”.

Dirigentes e delegados sindicais das IPSS concentraram-se hoje à porta do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, onde aprovaram uma moção de denuncia da política de baixos salários praticada pelas instituições e a exigir “a urgente e imperiosa necessidade de inversão da política salarial, bem como, valorização e dignificação dos trabalhadores”.

“Ministra escuta as IPSS estão em luta”, “a luta continua, nas IPSS e na rua” foram algumas das palavras de ordem gritadas numa concentração com lugares marcados na relva junto ao edifício ministerial de forma a garantir o distanciamento entre os manifestantes.

Segundo a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, “aos níveis salariais historicamente baixos, somam-se as revisões anuais dos salários e de outras remunerações, manifestamente insuficientes, quando são transferidos anualmente para as IPSS, do Orçamento do Estado, através dos protocolos celebrados com a Confederação Nacional de Instituições Sociais (CNIS), milhares de milhões de euros que deveriam ter, também, como destino a dignificação dos salários dos seus trabalhadores”.

Contudo, adiantam, a valorização e a atualização salarial, “continuam a ser-lhes negadas pelas direções das instituições, com a complacência do Governo” e as propostas de revisão para 2020 apontam para aumentos, para a grande maioria dos trabalhadores, de 4Euro a 7Euro, facto que mantém muitos trabalhadores com salários muito próximo do salário mínimo nacional.

Em declarações à agência Lusa, a dirigente sindical Elisabete Gonçalves explicou que apesar destes trabalhadores terem estado na linha da frente desde o início da pandemia não tiveram qualquer valorização salarial.

“São trabalhadores com horários concentrados e em espelho. Os seus contratos de trabalho coletivos foram violados, a lei não foi cumprida e os aumentos que lhes estão a propor são miseráveis de quatro, cinco ou seis euros para trabalhadores que desempenham uma função tão importante na área da função social do Estado”, disse.

Estes trabalhadores, acrescentou, estão a desempenhar funções de cuidado a crianças, idosos, deficientes e sem-abrigo e não têm qualquer valorização do seu trabalho.

Segundo a dirigente sindical num universo de pelo menos 3.500 trabalhadores, um terço recebe o salário mínimo nacional.

“Temos trabalhadores com 30 anos de casa a receber 632 euros e que recebem 635 por força do salário mínimo nacional e os aumentos são nenhuns”, frisou.

A atualização anual do salário mínimo nacional é uma obrigação das Entidades Empregadoras, e para a federação tal não é nem pode ser considerado como valorização salarial.

Sendo o Governo responsável por parte significativa do financiamento das IPSS, a federação considera que este tem obrigação de aprovar medidas que determinem a obrigação de anualmente serem revistos, com valores dignos, os salários dos trabalhadores das IPSS.

Na concentração participou também a deputada do Partido Comunista Português Diana Ferreira que saudou a luta e classificou o protesto em defesa de direitos como justo e necessário.

A resolução aprovada na concentração foi entregue no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social tendo os manifestantes recebido a garantia de que poderá ser agendada uma reunião na próxima semana.

GC // ZO

By Impala News / Lusa

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