Trabalhadores da Petrogal dispostos a “tudo” pela refinaria de Matosinhos

Os representantes dos trabalhadores da refinaria da Galp em Matosinhos garantiram, numa audição parlamentar, que “vão fazer tudo o que for possível” na defesa daquela unidade industrial, cuja intenção de encerramento foi anunciada em dezembro.

Trabalhadores da Petrogal dispostos a

Trabalhadores da Petrogal dispostos a “tudo” pela refinaria de Matosinhos

Os representantes dos trabalhadores da refinaria da Galp em Matosinhos garantiram, numa audição parlamentar, que “vão fazer tudo o que for possível” na defesa daquela unidade industrial, cuja intenção de encerramento foi anunciada em dezembro.

Os representantes dos trabalhadores da refinaria da Galp em Matosinhos garantiram, numa audição parlamentar, que “vão fazer tudo o que for possível” na defesa daquela unidade industrial, cuja intenção de encerramento foi anunciada em dezembro.

“Na defesa da refinaria do Porto [Leça da Palmeira, Matosinhos], os trabalhadores da Petrogal e as suas estruturas vão fazer tudo o que for possível e o que estiver ao nosso alcance. Basicamente, é o que nos permitir a Constituição da República Portuguesa”, garantiu Telmo Silva, dirigente sindical da Fiequimetal – Federação Intersindical, aos deputados da comissão parlamentar de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território.

O presidente da Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Galp, Hélder Guerreiro, também ouvido pela comissão, salientou que a luta é “pelo futuro” e que “não é só um processo de luta em defesa dos postos de trabalho, mas também em defesa da produção nacional, das exportações e do desenvolvimento do país”, que, defendeu, “o Governo não está a salvaguardar”.

Os representantes dos trabalhadores deram também conta de terem enviado várias cartas ao Governo, onde expõem a sua posição relativamente à intenção de encerrar aquele polo industrial, para as quais dizem não ter obtido qualquer resposta.

“Tivemos uma ação de luta no dia 02 de fevereiro, em frente à residência oficial do primeiro-ministro e até hoje não temos qualquer palavra do senhor primeiro-ministro. […] O Governo não se pode alhear desta decisão”, enquanto acionista da empresa, defendeu Telmo Silva.

Segundo aquele dirigente sindical, os representantes dos trabalhadores e a administração da Galp reuniram-se pela primeira vez, depois de ter sido conhecida a decisão, no dia 19 de janeiro, passado quase um mês da comunicação da empresa à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) sobre a decisão de fechar a unidade petroquímica de Matosinhos e concentrar a refinação em Sines.

Telmo Silva, lamentou, no entanto, que a reunião se tenha resumido à entrega de “uma comunicação”, sem que a empresa apresente ainda soluções para a questão dos postos de trabalho que estão em causa.

“Até ao momento, ainda não temos conhecimento de que tenham existido reuniões com trabalhadores quanto a propostas concretas”, adiantou o dirigente da Fiequimetal.

Relativamente ao Fundo para a Transição Energética, que, segundo o ministro do Ambiente, poderá incluir os concelhos de Matosinhos e de Sines, o presidente da CCT defendeu que aquelas verbas devem ser aplicadas para “desenvolver a refinaria” e não para “financiar despedimentos”.

Os representantes dos trabalhadores referiram, mais uma vez, a existência de um estudo para a reconversão daquele complexo no norte do país numa refinaria de biocombustíveis, à semelhança do que está a acontecer noutros países da Europa, mas que foi chumbado pela administração da Galp.

Questionada pela Lusa quanto a este estudo, fonte oficial da Galp respondeu que a empresa “fez uma rigorosa avaliação a diversas alternativas estratégicas para fazer face aos desafios regulatórios e de mercado que se colocam à refinação no contexto europeu e mundial, no médio/ longo prazo, e decidiu – em função dos resultados das diversas análises que promoveu -, adaptar e reorganizar o seu negócio de refinação, integrando este movimento no plano estratégico de descarbonização e de aceleração da transição energética que a Galp tem em curso”.

“Conforme já referido, a Galp não fará comentários públicos sobre os contornos específicos de cada estudo que realizou no âmbito deste processo”, acrescentou a mesma fonte.

A Galp anunciou em dezembro de 2020 a intenção de concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos este ano.

Os trabalhadores estão contra a decisão, alegando que tem por base um negócio com o Governo em que aquela estrutura é “moeda de troca” para acesso a fundos comunitários para estratégia do hidrogénio.

LEIA MAIS
Moradores arregaçam mangas perante ameaça de subida do rio Douro

Impala Instagram


RELACIONADOS