Trabalhadores da Central de Cervejas em greve decidem 5.ª feira “novas forma de luta”

O segundo dia de greve dos trabalhadores da Sociedade Central de Cervejas mantém hoje uma adesão de 100%, decorrendo na quinta-feira um plenário para decidir “novas formas de luta”.

Trabalhadores da Central de Cervejas em greve decidem 5.ª feira

Trabalhadores da Central de Cervejas em greve decidem 5.ª feira “novas forma de luta”

O segundo dia de greve dos trabalhadores da Sociedade Central de Cervejas mantém hoje uma adesão de 100%, decorrendo na quinta-feira um plenário para decidir “novas formas de luta”.

Redação, 07 mai 2019 (Lusa) — O segundo dia de greve dos trabalhadores da Sociedade Central de Cervejas mantém hoje uma adesão de 100%, segundo fonte sindical, decorrendo na quinta-feira um plenário para decidir “novas formas de luta” face ao silêncio da administração.

“Não tivemos nenhum contacto por parte da administração, o que lamentamos. Na quinta-feira, na greve do turno das 08:30 às 10:30, vamos fazer um plenário para decidirmos novas formas de luta, que passarão muito provavelmente por um pré-aviso de greve específico para o trabalho suplementar aos sábados, domingos, feriados e tudo o que seja para além do horário de trabalho”, afirmou à agência Lusa o dirigente sindical Rui Matias.

O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) assumiu, contudo, a expectativa de que a administração “possa retomar as negociações rapidamente”.

“Este clima não é favorável para ninguém, nem para os trabalhadores, nem para a empresa e muito menos para o negócio. Esperamos que a empresa tenha a capacidade de decidir rapidamente o que fazer com esta situação”, sustentou.

Os trabalhadores da Sociedade Central de Cervejas e bebidas (SCC), dona da Sagres, iniciaram na segunda-feira uma greve para reivindicar aumentos salariais “dignos e justos” e progressão na carreira, decorrendo a paralisação durante a toda a semana em três períodos distintos de duas horas: das 00:00 às 02:00, das 05:00 às 07:00 e das 08:30 às 10:30.

Contactado pela agência Lusa, o diretor de comunicação e relações institucionais da SCC garantiu na segunda-feira que a empresa está aberta “ao diálogo”, mas que face à greve as negociações do Acordo de Empresa (AE) “estão pendentes”.

“A greve é um direito dos colaboradores, que respeitamos”, referiu Nuno Pinto de Magalhães, esclarecendo que o protesto “tem um potencial máximo de aplicabilidade a cerca de 300 colaboradores da unidade abrangidos pelo AE, que representam cerca de 50%” do total.

A administração da SCC recordou que, nos últimos três anos, o acordo alcançado em termos salariais “foi sempre acima do valor da inflação verificada”, tendo ascendido em 2016 a 2% de aumento, num mínimo de 20 euros, a uma atualização de 30 euros em 2017 e a uma subida de 2%, num mínimo de 20 euros, no ano passado, acrescido de um prémio individual de 1.000 euros para todos os colaboradores abrangidos pelo AE”.

De acordo com o SINTAB, os trabalhadores reclamam “aumentos salariais dignos e justos”, que diminuam a atual “desigualdade salarial”, exigindo uma atualização “na ordem de 4%”, num mínimo de 40 euros, e de 1% no subsídio de turno.

Segundo Rui Matias, os trabalhadores pretendem ainda uma revisão das avaliações, das promoções e das carreiras profissionais, já que sentem “um desagrado muito grande” a este nível: “O desenvolvimento profissional está completamente estagnado. Há cerca de 13 anos que o modelo de evolução profissional contemplou menos de 10% dos trabalhadores, num total de cerca de 350, ou seja, estamos a falar de 20 e poucos trabalhadores que tiveram algum desenvolvimento profissional neste período”, afirmou.

O dirigente sindical destacou que os trabalhadores “fazem muito trabalho suplementar” aos sábados, domingos e feriados, pelo que, se não for possível chegar a um acordo, num prazo de dois meses começará a faltar cerveja no mercado, numa altura do ano em que o consumo aumenta.

“Afigura-se aqui uma situação de impasse tremendo e vai começar a faltar a cervejinha no mercado. Eles podem ter muito ‘stock’ por agora, mas em dois meses será muito difícil responder às solicitações do mercado, até porque estamos a caminhar para o verão, que é o período de maior consumo de cerveja”, sustentou.

De acordo com o dirigente do SINTAB, durante os períodos de paralisação os trabalhadores mantêm-se concentrados frente às instalações da empresa, em Vialonga, sendo que a adesão à greve “continua hoje a 100%”.

No plenário de quinta-feira, pelas 09:00, está prevista a participação do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

PD // EA

By Impala News / Lusa

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