S&P avisa que subida dos preços do petróleo não implica melhorias nos ‘ratings’

A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) alertou hoje que o aumento dos preços do petróleo nas últimas semanas não será suficiente para alterar os ‘ratings’ dos países produtores desta matéria prima, como Angola.

S&P avisa que subida dos preços do petróleo não implica melhorias nos 'ratings'

S&P avisa que subida dos preços do petróleo não implica melhorias nos ‘ratings’

A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) alertou hoje que o aumento dos preços do petróleo nas últimas semanas não será suficiente para alterar os ‘ratings’ dos países produtores desta matéria prima, como Angola.

“Os preços mais altos do petróleo, de forma geral, apoiam os ‘ratings’ dos países soberanos exportadores de hidrocarbonetos, mas são apenas um dos vários fatores importantes que levamos em consideração nas nossas análises sobre os ratings”, escrevem os analistas.

Numa nota enviada aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, a S&P salienta que “a escolha dos governos relativamente à utilização de quaisquer aumentos nas receitas e a perspetiva de políticas a longo prazo também são importantes”.

Na nota, acrescentam ainda que “uma significativa deterioração nas contas públicas foi um fator determinante na descida do ‘rating’ de vários países exportadores de matérias primas desde 2015” e concluem que “o ‘rating’ destes países soberanos não deverão voltar aos níveis anteriores a 2015, sem mudanças noutros fatores influenciadores do ‘rating’ para além dos preços do petróleo”.

A S&P prevê que o preço do barril de petróleo fique, em média, nos 60 dólares este ano e no próximo, e 55 dólares a partir de 2023, o que compara, por exemplo, com os 39 dólares inscritos no Orçamento de Angola para este ano.

O aumento do preço do petróleo é muito significativo para os países exportadores e, no caso de Angola, de acordo com a análise feita pela consultora Eaglestone, pode ser a diferença entre um défice orçamental de 2,2% e um excedente de 3%.

“O orçamento atual de 39 dólares por barril pressupõe um défice orçamental de 2,2% do PIB, mas fazendo uma análise de sensibilidade a diferentes preços médios para o resto do ano, constatamos que se o preço ficar nos 60 dólares, isso significa que as receitas públicas ficariam 27% acima das estimativas iniciais, o que se traduz num superávite de 3%”, disse Tiago Dionísio em declarações à Lusa, já este mês.

Na nota hoje enviada aos investidores, a S&P sublinha que “muitos exportadores de hidrocarbonetos registaram uma deterioração nas suas posições externa e orçamental, já que os preços baixos resultaram num acréscimo de necessidades orçamentais e de financiamento externo, que foram respondidas ou por acumulação de dívida ou recurso a ativos”.

Assim, concluem, “mesmo que os défices orçamental ou externo dos exportadores de hidrocarbonetos melhorem a curto prazo à custa de preços mais altos, provavelmente vai demorar mais tempo para as suas posições financeiras serem fortalecidas para os níveis anteriores a 2015”.

Na última semana, o preço do petróleo tem estado perto dos 70 dólares, tendo iniciado a sessão de hoje a valer 68,6 dólares por barril.

MBA // JH

By Impala News / Lusa

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