Síria: Cerca de 10 mil civis retidos em zona controlada por extremistas

Síria: Cerca de 10 mil civis retidos em zona controlada por extremistas

Cerca de 10 mil civis permanecem retidos numa zona restrita do nordeste da Síria que ainda é controlada pelo grupo extremista Estado Islâmico e que tem estado sob intensos bombardeamentos das forças internacionais, denunciou hoje a ONU.

“Temos uma situação esquecida no extremo leste da Síria, onde existe uma ofensiva militar, com centenas de bombardeamentos no último reduto do Estado Islâmico (EI)”, afirmou, em declarações à comunicação social, o coordenador da ONU para a ajuda humanitária para a Síria, o norueguês Jan Egeland.

Os combates e os bombardeamentos conduzidos pelas forças da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos no último reduto dos ‘jihadistas’ no território sírio já provocaram o deslocamento forçado de cerca de 27 mil pessoas.

Muitas destas pessoas foram colocadas em acampamentos improvisados que foram erguidos perto da zona dos confrontos, ficando vulneráveis a possíveis ataques das forças ‘jihadistas’.

“Pedimos à coligação que desloque imediatamente estes campos para mais longe e que não trate crianças e mulheres como suspeitos, mas sim como civis traumatizados que precisam de ajuda”, referiu Egeland.

A par dos bombardeamentos aéreos, também são registados “centenas de tiros de morteiros e granadas” na área onde estão os civis, que “deviam estar protegidos pela lei humanitária internacional”, acrescentou o mesmo representante.

Segundo o diplomata norueguês, os Estados Unidos, que lideram as forças internacionais, asseguram que escolhem os alvos com uma extrema precaução e que os ataques são conduzidos em função da presença de combatentes ‘jihadistas’.

“Para nós, é difícil verificar o que acontece lá, mas tendo em conta o que aconteceu em Raqa, esta situação deixa-nos muito nervosos com o que pode acontecer numa área tão pequena”, admitiu Egeland.

Raqa (centro-norte da Síria), que chegou a ser a “cidade modelo” do autoproclamado califado do EI, foi o último grande reduto urbano do EI no território sírio.

A cidade seria recuperada há um ano pelas forças da coligação internacional que atualmente lutam contra os extremistas em Hajin, na província de Deir al-Zur (nordeste da Síria).

Ainda nas mesmas declarações à imprensa, o coordenador humanitário da ONU mencionou a situação de outros 40 mil civis que estão igualmente retidos num campo em Rukban, uma zona de deserto que fica na fronteira entre a Síria e a Jordânia.

Depois de várias tentativas desde o início deste ano, a ONU conseguiu enviar, no passado fim de semana, a ajuda humanitária necessária e aguardada de forma desesperada pelos milhares de pessoas retidas em Rukban.

“Está a viver-se naquele local uma crise terrível, as pessoas estão a sofrer e não existe um único médico no ativo”, referiu.

Segundo Jan Egeland, a ONU voltou hoje a alertar, durante uma reunião com representantes dos Estados Unidos, Rússia e Jordânia, para a necessidade de resolver a situação destas pessoas.

Por exemplo, a organização pediu a estes países que permitam que estes civis sejam transferidos para outros locais, menos isolados, para que possam receber assistência humanitária de forma regular.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 360 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

SCA // FPA

By Impala News / Lusa

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