Sampaio: Louçã lembra capacidade de abrir “portas novas”, dialogar e ultrapassar muros

O antigo coordenador do BE Francisco Louçã considerou hoje que o país deve muito a Jorge Sampaio, uma “das grandes figuras da democracia portuguesa”, que conseguiu sempre ultrapassar muros, abrir portas novas e transformar a capacidade de diálogo.

Sampaio: Louçã lembra capacidade de abrir

Sampaio: Louçã lembra capacidade de abrir “portas novas”, dialogar e ultrapassar muros

O antigo coordenador do BE Francisco Louçã considerou hoje que o país deve muito a Jorge Sampaio, uma “das grandes figuras da democracia portuguesa”, que conseguiu sempre ultrapassar muros, abrir portas novas e transformar a capacidade de diálogo.

“É uma perda profunda, não só porque se trata de um fundador da democracia, mas porque se trata de uma das suas grandes figuras de referência”, afirmou, em declarações à Lusa, Francisco Louçã a propósito da morte de Jorge Sampaio.

Para o antigo líder bloquista, Sampaio foi sempre “um homem verdadeiro consigo próprio, capaz de emoções, capaz de mostrar o que queria, de procurar ultrapassar os muros que se constroem sempre nas culturas da política e da sociedade”.

“Devemos-lhe muito e creio que é com muita comoção que o país se despede dele e que o lembrará sempre como uma das grandes figuras da democracia portuguesa”, enalteceu.

Louçã começou por recordar que “Jorge Sampaio foi um ativista do movimento estudantil contra a ditadura, na altura em que não era fácil sê-lo”, tendo ainda sido advogado de presos políticos nos tribunais plenários e acompanhado “a emergência das novas forças da contestação à longuíssima ditadura e isso implicava coragem, escolha e determinação”.

“E nisso foi um dos jovens fundadores da democracia portuguesa, logo depois do 25 de Abril no movimento da esquerda socialista, mais tarde veio a ser secretário-geral do PS, mas ao longo desse processo político em que foi sempre fiel a si próprio, ele abriu portas novas como nunca tinham existido”, elogiou.

O fundador do BE recordou ainda que “a primeira geringonça que existiu em Portugal foi a lista do PS, do PCP, e da UDP e do PSR (que depois vieram a fazer o Bloco de Esquerda uns anos mais tarde) na Câmara de Lisboa”.

“Esse processo envolveu não só partidos políticos, mas um projeto para a cidade que mobilizou urbanistas, pessoas da proteção social, saúde pública, educadores, professores, movimentos sociais e essa ideia de cidade, uma nova ideia de cidade, com a qual ele venceu a candidatura de direita unida, com Marcelo Rebelo de Sousa, foi um impulso extraordinário para mudar, começar a mudar os cânones políticos portugueses”, afirmou.

Para Louçã, também por isso, e “muito naturalmente”, Sampaio “foi um candidato que representou a esquerda contra a direita unida com Cavaco Silva nas eleições presidenciais”.

“Ganhou na primeira volta, foi reeleito e ao longo desse processo representou sempre uma transformação na capacidade de diálogo e na capacidade de representação e nos caminhos políticos para Portugal”, enfatizou.

Apesar das “funções institucionais durante tanto tempo”, o antigo líder do BE recordou que Sampaio “continuou incansável”, sublinhando a importância do trabalho que desenvolveu na proteção dos estudantes sírios refugiados em Portugal que “acolheu e a quem ajudou a dar uma nova oportunidade de vida”.

“Há umas semanas, num artigo num jornal, ele sublinhava que essa era uma oportunidade também para as mulheres, estudantes afegãs ou estudantes afegãos que poderiam vir para Portugal e que deveriam ser recebidos no mesmo contexto”, lembrou ainda.

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu hoje aos 81 anos, no hospital de Santa Cruz, em Lisboa.

 

 

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