Sampaio: Ana Gomes recorda “referencial” ético e político que é “mais do que um estadista”

A diplomata Ana Gomes recordou hoje “com grande tristeza” o antigo Presidente da República Jorge Sampaio, recordando o humanista que, “mais do que um estadista”, é um “referencial ético, cívico e político”.

Sampaio: Ana Gomes recorda

Sampaio: Ana Gomes recorda “referencial” ético e político que é “mais do que um estadista”

A diplomata Ana Gomes recordou hoje “com grande tristeza” o antigo Presidente da República Jorge Sampaio, recordando o humanista que, “mais do que um estadista”, é um “referencial ético, cívico e político”.

A diplomata Ana Gomes recordou hoje “com grande tristeza” o antigo Presidente da República Jorge Sampaio, recordando o humanista que, “mais do que um estadista”, é um “referencial ético, cívico e político”. Contactada pela agência Lusa, a também antiga eurodeputada socialista lamentou a morte de Jorge Sampaio manifestando “grande tristeza, com grande sentido de perda de um homem extraordinário”.

Na opinião de Ana Gomes, o antigo chefe de Estado “é mais do que um estadista, é um referencial ético, cívico e político, que não só serviu exemplarmente o Estado, mas que serviu o mundo melhor que sempre ansiou ajudar a construir”.

Sampaio é também um “referencial ético do socialismo humanista”, qualidade que “nunca perdeu” e que evidenciou em todos os percursos da sua vida, completou Ana Gomes.

O antigo Presidente da República era, prosseguiu Ana Gomes, um “homem generoso, solidário, que levou a solidariedade à dimensão internacionalista”, nomeadamente através liderança, “como representante do secretário-geral das Nações Unidas, o projeto Aliança das Civilizações”.

A também antiga candidata presidencial recordou a intervenção solidária até ao final, inclusive, através da publicação de um artigo de opinião no diário Público, em 26 de agosto deste ano, “intitulado ‘Dever de Solidariedade’, advogando a necessidade de acolher refugiados afegãos, “manifestando a vontade de estender a plataforma de apoio aos estudantes sírios, que ele próprio criou, para os afegãos”.

Sampaio “desaparece fisicamente” mas, considerou, as gerações mais recentes devem conhecer melhor o “extraordinário exemplo de intervenção pública” de um “socialista com S grande, e o S grande vem da base humanista”, ideal que esteve “sempre presente na atuação” do antigo Presidente.

Enquanto presidente do município de Lisboa, a antiga eurodeputada do PS recordou a preocupação com a “justiça social, com o combate à pobreza, com a eliminação dos bairros de lata”.

Como Presidente da República ficou na memória a vontade de “ouvir todos, construir pontes, bases de diálogo e soluções que servissem o interesse comum”.

“É um exemplo extraordinário que nunca perderei, que sempre me inspirou”, completou.

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu hoje aos 81 anos, no hospital de Santa Cruz, em Lisboa.

Antes do 25 de Abril de 1974, foi um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 60, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo, tendo, como advogado, defendido presos políticos durante a ditadura.

Jorge Sampaio foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).

Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e, entre 2007 e 2013, foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Atualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens sem acesso à educação.

 

 

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