Rovisco Duarte diz que quis “abanar o Exército” e nega pressões políticas

O general Rovisco Duarte disse que decidiu sozinho e sem interferências políticas a exoneração de cinco comandantes na sequência do furto de Tancos, afirmando que quis “abanar” o Exército.

Rovisco Duarte diz que quis

Rovisco Duarte diz que quis “abanar o Exército” e nega pressões políticas

O general Rovisco Duarte disse que decidiu sozinho e sem interferências políticas a exoneração de cinco comandantes na sequência do furto de Tancos, afirmando que quis “abanar” o Exército.

Lisboa, 06 mar (Lusa) — O general Rovisco Duarte disse hoje que decidiu sozinho e sem interferências políticas a exoneração de cinco comandantes na sequência do furto de Tancos, afirmando que quis “abanar” o Exército e acabar com uma cultura de deixar andar.

O ex-Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), que se demitiu em outubro passado, disse que tomou a decisão de forma “isolada e refletida” e que só informou, por telefone, o então ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, depois de anunciar a decisão em declarações numa estação de televisão.

“Não me recordo da reação do ministro. O comandante do Exército era eu, não era o senhor ministro”, disse.

Questionado pelo PSD e pelo PS na comissão parlamentar de inquérito para apurar responsabilidades pelo furto de material de guerra em Tancos, divulgado em 29 de junho de 2017, Rovisco Duarte disse que “não, nunca” sofreu pressões políticas durante o seu mandato.

O que houve, disse, foram “pressões de todo o lado, de cima abaixo e dos lados” para saber “o que é que o Exército ia fazer” perante o furto.

“O problema era global e eu tinha duas hipóteses, ou mantenho-me tranquilo ou abanar a instituição. Eu quis abanar a instituição, marcar o choque”, disse, considerando que se “fez doutrina” à sua custa.

O general apontou falhas aos comandantes das cinco unidades responsáveis pela segurança dos paióis, afirmando que “são competentes, mas falharam” e “tiveram culpa” no “deixar andar” situações de degradação que podiam ser resolvidas.

“Mas, é preciso uma ordem do CEME para mudarem uma lâmpada?”, questionou, referindo que “falta de limpeza, falta de desmatação” são situações “facilmente resolúveis pelos comandantes”.

“Não lhe chamaria lassidão nem desleixo, mas talvez entrar um pouco nessa área. Tive vários episódios, sentinelas não estavam nos postos. Porquê? Porque, dos comandantes, ninguém passava rondas”, criticou, acrescentando que era preciso acabar com “uma cultura” de deixar andar.

Quanto ao conhecimento que tinha daquelas situações, Rovisco Duarte disse que “sabia que havia deficiências, mas não tinha conhecimento” dos relatórios remetidos pelos comandantes subordinados ao então Comandante das Forças Terrestres, general Faria de Meneses, em quem, admitiu “não confiava”.

“Houve falhas de coordenação” entre unidades, disse.

Sobre a decisão de exonerar os comandantes, que foram readmitidos 15 dias depois, Rovisco Duarte justificou ainda que os afastou para os proteger da tentação de “entravamento dos processos”.

“Se o comandante estiver no sítio pode acontecer que haja algum entravamento de processos. A partir do momento em que tenho os relatórios, e despachos, estão criadas as condições para voltarem. Não estava em causa competência dos comandantes”, disse.

Rovisco Duarte recusou a tese de que o furto foi consequência da falta de efetivos, considerando que “podem faltar noutras tarefas, mas nunca na segurança” e acusou o então Comandante das Forças Terrestres de “alienação clara” face ao assunto.

SF // VAM

By Impala News / Lusa

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