Ramos-Horta não acredita que haja reformas no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU

O Presidente da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje em Lisboa que não acredita na reforma do Conselho de Segurança da organização das Nações Unidas (ONU).

Ramos-Horta não acredita que haja reformas no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU

Ramos-Horta não acredita que haja reformas no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU

O Presidente da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje em Lisboa que não acredita na reforma do Conselho de Segurança da organização das Nações Unidas (ONU).

“Aumentar o número de membros permanentes e não-permanentes não resolve. Pode aumentar a representatividade geográfica, mas nada mais”, disse Ramos-Horta, que intervinha na conferência “Uma Nova Ordem Mundial”, promovida pela organização intergovernamental g7+.

Para José Ramos-Horta, a solução passa por aumentar a “representatividade civilizacional” do Conselho de Segurança, isto é, garantir que haja outros países, com poder decisão, “verdadeiramente representativos de outras civilizações e não apenas maioritariamente cristãos”.

“Não é apenas uma questão de equilíbrio geográfico ou demográfico. É uma questão civilizacional”, vincou Ramos-Horta, referindo-se a, na sua opinião, à “atual composição do Conselho de Segurança que reflete uma maioria de países de identidade cristã”.

“Temos um Conselho de Segurança dominado pela religião cristã. A grande religião hindu não está representada. Ou seja, não estão presentes as grandes civilizações”, reiterou.

Assim, conclui o Presidente de Timor-Leste, “não vão haver grandes reformas no Conselho de Segurança, que está cada vez mais desacreditado”.

“Os grandes líderes do mundo estão ocupados a fazer a guerra”, acrescentou.

José Ramos-Horta deu o exemplo da atual guerra na Ucrânia como paradigma da “inoperacionalidade” do Conselho de Segurança.

“A Rússia está de um lado e do outro estão os Estados Unidos, França e Reino Unido. Quem sai a ganhar neste imbróglio é a China”, segundo Ramos-Horta, que defendeu ser importante “que os Estados Unidos não tornem a China parte do conflito”.

Em defesa da sua tese de que países como a Índia, Turquia, África do Sul e Indonésia devem ser considerados para integrar o órgão da ONU com estatuto de membro permanente, Ramos-Horta disse que se trata de Estados “que têm ainda um estatuto de neutralidade no conflito ucraniano” e que dispõem, acrescentou, “de capacidade de diálogo com a China”.

Mantendo-se na região asiática, Ramos-Horta considerou na sua intervenção que a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) “tem um problema para resolver e que se chama Myanmar [antiga Birmânia]”.

Quanto à adesão de Timor-Leste na ASEAN, Ramos-Horta acredita que tal se irá verificar em 2023.

“Timor-Leste fez o seu trabalho para entrar mas, é mais fácil entrar no céu que na ASEAN”, apontou.

O g7+ é uma organização intergovernamental formada por países afetados por conflitos, unidos por uma visão de paz, estabilidade e desenvolvimento nos respetivos países e em todo o mundo.

O grupo g7+ é composto por 20 Estados-membros afetados por conflitos e fragilidades que vão da Ásia, África, Pacífico e Caraíbas.

A Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os únicos países de língua oficial portuguesa que integram a organização.

EL // LFS

By Impala News / Lusa

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