Quase meia centena de países exige conselho dos Direito Humanos dedicado ao Sudão

Várias dezenas de países exigiram hoje uma sessão especial do Conselho dos Direitos Humanos da ONU dedicada ao Sudão, onde a repressão exercida pelos militares que assumiram o poder já matou vários oponentes do golpe.

Quase meia centena de  países exige conselho dos Direito Humanos dedicado ao Sudão

Quase meia centena de países exige conselho dos Direito Humanos dedicado ao Sudão

Várias dezenas de países exigiram hoje uma sessão especial do Conselho dos Direitos Humanos da ONU dedicada ao Sudão, onde a repressão exercida pelos militares que assumiram o poder já matou vários oponentes do golpe.

A carta dirigida ao Alto Comissáriado para os Direitos Humanos das Nações Unidas, assinada por 49 países (18 dos quais membros do Conselho), pede ao Conselho que examine “as implicações da situação na República do Sudão para os direitos humanos”, divulgou hoje a Agência France-Presse (AFP).

“As ações dos militares sudaneses são uma traição à revolução, à transição e ao povo sudanês”, acusou, na rede social Twitter, o embaixador do Reino Unido em Genebra, Simon Manley, que retransmitiu o pedido formulado pelos 48 países.

O país tem sido palco de várias manifestações, reunindo milhares de pessoas que contestam o golpe militar liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhane, e que já resultaram na morte de doze manifestantes mortos e quase 300 feridos, de acordo com um relatório de um sindicato de médicos profissionais.

O chefe das Forças Armadas sudanesas, Abdel-Fattah al-Burhan, dissolveu, na segunda-feira passada, os órgãos criados para o período de transição que teve início após o derrube do antigo Presidente Omar al-Bashir, e declarou o estado de emergência em todo o país.

O golpe ocorreu na sequência de críticas cruzadas entre os militares e os partidos políticos, cuja coexistência no processo de transição foi tensa desde o início, e aumentou a tensão após uma alegada tentativa de golpe há um mês, que o governo atribuiu a “restos” do regime de Al-Bashir “dentro e fora das forças armadas”, algo que enfureceu os militares.

A comunidade internacional condenou quase unanimemente o golpe do general Burhane, exigindo o regresso das autoridades civis no poder, incluindo o primeiro-ministro Abdallah Hamdok e a maioria de seus ministros e outros oficiais e civis presos pelo exército.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, classificou o golpe como um “revés doloroso” para as aspirações democráticas do povo sudanês, enquanto a União Africana suspendeu Cartum da organização.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, pediu às forças militares no Sudão para agirem “com moderação” e tratarem com respeito os manifestantes.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou à “contenção” durante os protestos e, numa publicação na rede social Twitter, defendeu ser “altura de regressar aos acordos constitucionais legítimos”.

Washington e o Banco Mundial também suspenderam o financiamento, fundamental para o país.

Os protestos de sábado foram, até agora, os mais intensos desde o golpe militar. As forças de segurança mataram três manifestantes em Omdurman durante os protestos, elevando a contagem para pelo menos 12 mortos e mais de 280 feridos desde segunda-feira, de acordo com o Comité de Médicos do Sudão.

A polícia sudanesa disse, contudo, que as suas forças não usaram munições reais contra os manifestantes no sábado.

DA/(PD) // MAG

By Impala News / Lusa

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