Qatar diz que “entre 400 e 500” trabalhadores morreram nas construções dos estádios

O número de trabalhadores mortos no Qatar durante a preparação para o Mundial de futebol ficou entre “400 e 500”, um número drasticamente maior do que anteriormente anunciado, admitiu um responsável do Qatar.

Qatar diz que

Qatar diz que “entre 400 e 500” trabalhadores morreram nas construções dos estádios

O número de trabalhadores mortos no Qatar durante a preparação para o Mundial de futebol ficou entre “400 e 500”, um número drasticamente maior do que anteriormente anunciado, admitiu um responsável do Qatar.

De acordo com a Associated Press, as declarações de Hassan al-Thawadi, secretário-geral do Comité Supremo para Entrega e Legado do Qatar, foram feitas durante uma entrevista com o jornalista britânico Piers Morgan. Os comentários de Al-Thawadi poderão aumentar as críticas feitas pelos grupos de direitos humanos sobre o custo para os trabalhadores migrantes do país sediar o primeiro Mundial de Futebol no Médio Oriente, quando 200 mil milhões de dólares (19,3 mil milhões de euros) foram gastos em estádios, linhas de metro e novas infraestruturas necessárias para o torneio. O Comité Supremo e o Governo do Qatar ainda não responderam a um pedido de comentário feito hoje pela AP sobre as declarações de Al-Thawadi.

Mundial2022: Libertado sem sanções adepto que invadiu relvado no Portugal-Uruguai
O italiano que invadiu o relvado do Estádio de Lusail, no decorrer do encontro Portugal-Uruguai, do Mundial de futebol, carregando uma bandeira multicor, em apoio à comunidade LGBTQ+, foi libertado sem qualquer sanção, anunciou hoje o governo transalpino (… continue a ler aqui)

Na entrevista – em trechos já publicados por Piers Morgan na internet -, o jornalista britânico pergunta a Al-Thawadi: “Qual é o número honesto, totalmente realista de trabalhadores migrantes que morreram, como resultado do trabalho que estão a fazer para o Mundial de Futebol, na totalidade?”. “A estimativa é de cerca de 400, entre 400 e 500”, respondeu Al-Thawadi. “Não tenho o número exato. Isso é algo que tem sido discutido”, referiu o responsável. Entretanto, esse número não foi anteriormente discutido publicamente. Os relatórios do Comité Supremo datados de 2014 até ao fim de 2021 incluem apenas o número de mortes de trabalhadores envolvidos na construção e reforma dos estádios que hoje sediam o Mundial de futebol. O número total de mortes divulgado pelo Governo do Qatar foi de 40. Estes dados incluem 37 que as autoridades locais descrevem como incidentes não relacionados com trabalho, como ataques cardíacos, e três de incidentes no local de trabalho. Num outro relatório também surge separadamente a morte de um trabalhador devido ao novo coronavírus durante a pandemia de covid-19.

“Uma morte é uma morte a mais. Puro e simples”

Desde que a FIFA concedeu o torneio ao Qatar em 2010, o país tomou algumas medidas para reformular as práticas de emprego. Isso incluiu a eliminação do chamado sistema de emprego ‘kafala’, que prendia os trabalhadores aos seus empregadores, que podiam decidir se os funcionários poderiam deixar os seus empregos ou até mesmo o país. O Qatar também adotou um salário mínimo mensal de 1.000 riais do Qatar (275 dólares ou 265 euros) para os trabalhadores e exigiu subsídios de alimentação e moradia para funcionários que não recebem esses benefícios diretamente dos seus empregadores. Também atualizou as suas regras de segurança para os trabalhadores para evitar mortes. “Uma morte é uma morte a mais. Puro e simples”, acrescentou Al-Thawadi na entrevista.

Ativistas pediram a Doha que faça mais, principalmente quando se trata de garantir que os trabalhadores têm os salários em dia e são protegidos de empregadores abusivos. O comentário de Al-Thawadi também renova as questões sobre a veracidade dos relatórios de Governos e das empresas privadas sobre ferimentos e mortes de trabalhadores nos Estados do Golfo Pérsico, cujos prédios foram construídos por trabalhadores de países do sul da Ásia, como Índia, Paquistão e Sri Lanka. Mustafa Qadri, diretor executivo da Equidem Research, uma consultoria sobre trabalho que publicou relatórios sobre o custo da construção para os trabalhadores migrantes, disse que ficou surpreso com a observação de al-Thawadi. “Para ele, vir agora e dizer que há centenas [de mortos], é chocante. Eles não têm ideia do que está a acontecer”, declarou Qadri à AP.

Impala Instagram


RELACIONADOS