PS e PSD em Lisboa repudiam intervenção “racista e xenófoba” do Chega sobre imigrantes

O Chega na Assembleia Municipal de Lisboa acusou hoje os imigrantes ilegais, com atestados de residência com dados falsos, de se aproveitarem da boa vontade da cidade, intervenção que mereceu repúdio do PS e do PSD.

PS e PSD em Lisboa repudiam intervenção

PS e PSD em Lisboa repudiam intervenção “racista e xenófoba” do Chega sobre imigrantes

O Chega na Assembleia Municipal de Lisboa acusou hoje os imigrantes ilegais, com atestados de residência com dados falsos, de se aproveitarem da boa vontade da cidade, intervenção que mereceu repúdio do PS e do PSD.

“Há redes a vender milhares de moradas falsas a imigrantes”, expôs o deputado municipal do Chega Bruno Mascarenhas, lembrando as recentes notícias sobre a investigação dessa situação nas freguesias de Santa Maria Maior, Arroios e Penha de França, considerando que se trata de “um verdadeira escândalo” ter ruas em Lisboa com 400 metros e 10 mil habitantes.

Bruno Mascarenhas disse que “estas juntas de freguesia dão cobertura a um esquema fraudulento e mafioso de obtenção de vantagens e fomento à imigração ilegal”.

“Sabemos todos que, passados uns meses, os contribuintes portugueses são chamados a pagar subsídios a estas pessoas que invadem o país e a nossa cidade, aproveitando-se da nossa boa vontade, e ainda abusam porque conseguem que lhes paguemos casa, comida e ainda damos dinheiro, enquanto tantos e tantos portugueses de classe média e classe baixa passam dificuldades para pagar as suas contas”, declarou o deputado do Chega.

Antes de terminar a intervenção, a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Rosário Farmhouse (PS), pediu ao deputado que tivesse cuidado com a linguagem e atenção à forma como se estava a expressar, mas Bruno Mascarenhas concluiu toda a intervenção prevista por considerar que estava “perfeitamente dentro da legalidade”.

“Isto não se trata de racismo, trata-se sim de controlar uma imigração absolutamente descontrolada”, apontou o eleito do Chega.

Por considerar que foi colocada em causa a honorabilidade da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, o presidente desta autarquia, Miguel Coelho (PS), repudiou a intervenção “racista e xenófoba” de Bruno Mascarenhas e pediu as gravações da reunião para “agir conforme puder”, após aconselhamento jurídico.

“Não esperava ter que ouvir em pleno século XXI, em plena democracia, uma intervenção destas”, afirmou o socialista, esclarecendo que a lei determina que as juntas são obrigadas a passar atestados de residência e acreditando que as autoridades estão a investigar as situações irregulares.

Miguel Coelho reforçou ainda que “todos os cidadãos que residem em Santa Maria Maior, independentemente da sua cor e da sua origem, são cidadãos de respeito”, acrescentando que as comunidades de imigrantes são “pacíficas”, nem há registo de situações de conflito e “todos contribuem para fazer de Lisboa aquilo que Lisboa sempre foi: uma cidade aberta, de partidas e chegadas, que fez a nossa identidade, e, por ventura, somos todos mestiços”.

Lembrando que a discriminação racial em Portugal é crime, o deputado independente Miguel Graça (eleito pela coligação PS/Livre) pediu à presidente da assembleia para remeter os excertos da intervenção do eleito do Chega para a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial.

Da bancada do PSD, Luís Newton disse que “Portugal é a primeira nação da era moderna verdadeiramente global”, com os portugueses a serem recebidos como emigrantes e a saberem receber os imigrantes, porque é essa a forma de “abraçar o mundo” que caracteriza a “essência da tão proclamada portugalidade”.

Repudiando a intervenção do deputado do Chega, o social-democrata pediu à presidente da assembleia para que “corte o som à voz de ódio, que viola a lei e a consciência de todos”, considerando que, em momento algum, os lisboetas podem achar que na casa da cidadania se tolera a “voz do ódio, da xenofobia e do racismo”.

Em resposta, Bruno Mascarenhas classificou o repúdio de “derivas da esquerda, na qual se inclui o PSD”, e refutou qualquer acusação de racismo e xenofobia.

Apesar de considerar que a intervenção do eleito do Chega foi “repelente”, a deputada municipal do CDS-PP Margarida Penedo recusou a ideia de se poder cortar a palavra, por defender que a melhor forma de combater este tipo de declarações é ter a capacidade de as desmontar.

A presidente da Assembleia Municipal de Lisboa avisou que o regimento permite cortar a palavra quando as intervenções são ofensivas.

Presente na reunião, em que estava a ser discutida a intervenção do executivo municipal entre junho e agosto, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), que foi emigrante durante 12 anos e é casado como uma imigrante, reforçou que a capital portuguesa é “uma cidade aberta e multicultural”, manifestando dificuldade em encontrar palavras para a posição do Chega.

SSM // MCL

By Impala News / Lusa

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