Presidente da Sérvia acusa Pristina de pretender matar sérvios do Kosovo

O Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, acusou hoje as autoridades kosovares de estarem a preparar as condições para matar cidadãos sérvios no norte do Kosovo.

Presidente da Sérvia acusa Pristina de pretender matar sérvios do Kosovo

Presidente da Sérvia acusa Pristina de pretender matar sérvios do Kosovo

O Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, acusou hoje as autoridades kosovares de estarem a preparar as condições para matar cidadãos sérvios no norte do Kosovo.

“Eles estão a preparar-se para liquidar a nossa gente no norte. Digo-o abertamente”, assegurou Vucic em conferência de imprensa em Belgrado, citado pela agência noticiosa estatal Tanjug.

“Insisto para que não façam isso, sob o pretexto da luta contra a criminalidade. Não matarão as pessoas”, disse Vucic.

O primeiro-ministro do Kosovo, Albin Kurti, acusou alegadas “estruturas criminais dirigidas por Vucic” no norte do Kosovo de pretenderem provocar desordens e incidentes.

No final de julho, centenas de sérvios kosovares bloquearam as estradas no norte do Kosovo junto à fronteira em protesto pelas decisões do Governo kosovar sobre a aplicação de medidas para impedir o uso de documentos de identidade e matrículas da Sérvia no território do Kosovo.

No decurso dos protestos, e segundo Pristina, foram disparados diversos tiros dirigidos à polícia kosovar mas sem registo de baixas.

Milan Radoicic, um dos líderes sérvios locais, é procurado pela justiça kosovar, e sujeito a sanções dos Estados Unidos, que o acusam de participar em redes de criminalidade organizada.

“[Às autoridades kosovares] perturba-lhes tudo o que pensa livremente, porque para eles todo o sérvio é um criminoso”, insistiu Vucic.

Ao dirigir-se aos seus opositores em Belgrado, que o acusam de ter organizado uma estrutura ilegal entre os sérvios do norte do Kosovo, o Presidente sérvio definiu-os como “resíduos políticos” que ajudam Pristina nos seus planos anti-sérvios.

Vucic também manifestou ceticismo sobre as negociações com Kurt convocadas pelo Alto representante da União Europeia para a política externa, Josep Borrell, e previstas para a próxima quinta-feira em Bruxelas.

“Estou muito cético sobre a possibilidade de obter resultados. Basta ler as declarações de Kurti e seus colaboradores para entender que não pretendem o compromisso”, declarou.

Na conferência de imprensa, Vucic indicou ainda que se vai reunir na próxima quarta-feira com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, para abordar a função da missão da NATO no Kosovo (Kfor), que mantém cerca de 4.000 militares no terreno.

Desde 2011 que a Sérvia e o Kosovo promovem negociações para a normalização das relações, mediadas pela UE, mas sem resultados palpáveis até ao momento.

Os cerca de 120.000 sérvios ortodoxos do Kosovo — os números divergem consoante a origem, admitindo-se que possam chegar aos 200.000, com cerca de um terço concentrado no norte do território — não reconhecem a autoridade de Pristina e permanecem identificados com Belgrado, de quem dependem financeiramente.

Belgrado nunca reconheceu a secessão do Kosovo em 2008, proclamada na sequência de uma guerra sangrenta iniciada com uma rebelião armada albanesa em 1997 que provocou 13.000 mortos, e motivou uma intervenção militar da NATO contra a Sérvia em 1999, à revelia da ONU.

Desde então, a região tem registado conflitos esporádicos entre as duas principais comunidades locais.

O Kosovo independente foi reconhecido por cerca de 100 países, incluindo os EUA, que mantêm forte influência sobre a liderança kosovar, e a maioria dos Estados-membros da UE, à exceção da Espanha, Roménia, Grécia, Eslováquia e Chipre.

A Sérvia continua a considerar o Kosovo como parte integrante do seu território e Belgrado beneficia do apoio da Rússia e da China, que à semelhança de dezenas de outros países (incluindo Índia, Brasil ou África do Sul) também não reconheceram a independência do Kosovo.

PCR // APN

By Impala News / Lusa

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