Presidente angolano recusa que criação de novas províncias seja projeto com fins eleitoralistas

O Presidente angolano, João Lourenço, afirmou hoje que a proposta de alteração da divisão político-administrativa do país não é um projeto de curto prazo a ser realizado até às eleições do próximo ano.

Presidente angolano recusa que criação de novas províncias seja projeto com fins eleitoralistas

Presidente angolano recusa que criação de novas províncias seja projeto com fins eleitoralistas

O Presidente angolano, João Lourenço, afirmou hoje que a proposta de alteração da divisão político-administrativa do país não é um projeto de curto prazo a ser realizado até às eleições do próximo ano.

“Isto [divisão político-administrativa] não é um projeto imediatista de curto prazo com fins eleitoralistas a ser realizado até às eleições do próximo ano, enquadra-se na visão de futuro deste executivo para um horizonte temporal mais amplo”, destacou o Presidente, numa mensagem dirigida à Nação que marcou o início do ano parlamentar.

João Lourenço realçou que o país reagiu bem à iniciativa do executivo sobre a necessidade de se aprovar e implantar “quando o assunto estiver maduro”, uma nova divisão político-administrativa com o surgimento de novas províncias, estando o processo apenas no seu início.

O chefe de Estado justificou a iniciativa com o desenvolvimento desigual de Angola desde a ocupação colonial e a necessidade de corrigir as assimetrias regionais daí resultantes.

“Para mudar-se o atual estado das coisas, não basta reclamar mesmo que justamente, é preciso que se encontrem as melhores soluções, os melhores programas, cujas sementes devem ser lançadas hoje para colhermos amanhã, no médio longo prazo”, sublinhou.

O Presidente afirmou ainda que as assimetrias se combatem com o desenvolvimento local e fortalecimento do poder local através das autarquias, mas também aproximando o Estado e os serviços da Administração Pública dos cidadãos.

“Os dois poderes, o do Estado e o autárquico, não se combatem, não se anulam, complementam-se, perseguindo ambos o mesmo fim, o de servir cada vez melhor o cidadão”, assinalou Lourenço, salientando a dificuldade de governar províncias com uma enorme extensão territorial, três a quatro vezes superior ao território de muitos países desenvolvidos do mundo.

Por isso, “aproximar o centro de decisão política dos cidadãos, é crucial para a resolução dos seus problemas”, disse o Presidente angolano, reforçando a necessidade de alterar a atual divisão político-administrativa e se implantarem as autarquias locais “sem que um empate o outro”.

Ao executivo angolano compete “demonstrar o bem fundado deste projeto”, tal como no caso da revisão pontual da Constituição aprovada sem votos contra, apontou.

“Veio aprofundar a nossa democracia permitindo por exemplo, que pela primeira vez desde a implantação do multipartidarismo em Angola, os angolanos na diáspora possam finalmente exercer o seu direito de voto”, frisou João Lourenço, acrescentando que “é preciso que se comece a projetar o futuro independentemente das dificuldades do presente”.

 

RCR // LFS

By Impala News / Lusa

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