PR moçambicano manifesta abertura para dialogar com dissidentes da Renamo

O chefe de Estado de Moçambique, Filipe Nyusi, manifestou-se hoje aberto para dialogar com os dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), acusados de protagonizar ataques armados no centro do país.

PR moçambicano manifesta abertura para dialogar com dissidentes da Renamo

PR moçambicano manifesta abertura para dialogar com dissidentes da Renamo

O chefe de Estado de Moçambique, Filipe Nyusi, manifestou-se hoje aberto para dialogar com os dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), acusados de protagonizar ataques armados no centro do país.

“Nós estamos disponíveis para falar com eles e ouvir o que está mal neste processo de inclusão, reconciliação e tolerância”, declarou Filipe Nyusi, durante uma cerimónia que marca a desmobilização de guerrilheiros da Renamo no âmbito dos entendimentos entre o Governo e a principal força de oposição do país.

Para o Presidente, os ataques que têm sido registados em duas das principais estradas do centro de Moçambique atentam contra o povo moçambicano, alertando que não haverá qualquer amnistia, tendo em conta que o acordo de paz já foi assinado (em 06 de agosto do ano passado).

“Os crimes que são cometidos depois do acordo são contra o povo e a soberania e o tratamento [a pena] pode ser agravado, sobretudo porque estamos num processo de paz”, salientou Nyusi, pedindo o apoio de todos os moçambicanos e congratulando o líder da Renamo, Ossufo Momade, pelo seu “empenho” no processo de pacificação do país.

Os ataques armados no centro de Moçambique têm afetado Manica e Sofala e já provocaram a morte de, pelo menos, 24 pessoas desde agosto do ano passado em estradas e povoações das duas províncias.

As incursões são atribuídas pelas autoridades à autoproclamada Junta Militar da Renamo, grupo dissidente do partido de oposição liderado por um antigo general de guerrilha, Mariano Nhongo, que exige a demissão do atual presidente daquela força política, além da renegociação do acordo de paz.

Em contacto telefónico com a comunicação social hoje na cidade da Beira, o líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo disse que não foi notificado sobre a desmilitarização do braço armado do partido, considerando o processo nulo e reiterando que é necessária a renegociação do acordo.

“O que eles estão a fazer não é nada. Os próprios guerrilheiros que estão a entregar as armas depois vão juntar-se a nós”, afirmou Mariano Nhongo, acusando o atual presidente da Renamo de ter desviado o processo negocial dos ideais do seu antecessor Afonso Dhlakama, líder histórico do partido que morreu em maio de 2018, no meio de conversações com Filipe Nyusi.

Apesar de ameaças e incursões atribuídas à autoproclamada Junta Militar da Renamo, o processo do desarmamento do braço armado do principal partido de oposição previsto no acordo de 06 de agosto do ano passado continua.

Entre quinta-feira e hoje, pelo menos 38 guerrilheiros entregaram as armas no âmbito do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR).

Na quinta-feira, o ministro da Defesa de Moçambique, Jaime Neto, empossou Aníbal Rafael Chefe, um oficial da guerrilha da Renamo, no cargo de diretor do Departamento de Comunicações no Estado-Maior-General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

Em 03 de dezembro do ano passado, 10 oficiais da Renamo passaram a incorporar as fileiras do comando-geral da polícia moçambicana, no âmbito do processo de pacificação.

Em entrevista à Lusa, em março, Ossufo Momade disse que o desarmamento vai abranger 5.000 guerrilheiros da Renamo e que iria arrancar em breve, mas a pandemia de covid-19 levou à instauração de um estado de emergência em Moçambique e atrasou o processo.

EYAC/JYJE // LFS

By Impala News / Lusa

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