PR de São Tomé e Príncipe recebe a mais alta distinção de Cabo Verde

O Presidente cabo-verdiano vai atribuir a Ordem Amílcar Cabral ao homólogo de São Tomé e Príncipe, reconhecendo o “empenho” de Carlos Vila Nova no reforço das relações entre dois “arquipélagos irmãos”, durante a visita de Estado à Praia.

PR de São Tomé e Príncipe recebe a mais alta distinção de Cabo Verde

PR de São Tomé e Príncipe recebe a mais alta distinção de Cabo Verde

O Presidente cabo-verdiano vai atribuir a Ordem Amílcar Cabral ao homólogo de São Tomé e Príncipe, reconhecendo o “empenho” de Carlos Vila Nova no reforço das relações entre dois “arquipélagos irmãos”, durante a visita de Estado à Praia.

Através de um decreto presidencial, de 24 de novembro e consultado hoje pela Lusa, José Maria Neves concede a mais alta distinção cabo-verdiana a Carlos Vila Nova, que é esperado na Praia para uma visita de Estado de 27 a 30 de novembro, para “enaltecer a singularidade dos laços entre os povos são-tomense e cabo-verdiano.

“Em reconhecimento do seu empenho, sentido de liderança e revigorante aposta no fortalecimento das relações entre os dois povos e Estados e do seu contributo para uma cada vez melhor inserção da comunidade cabo-verdiana residente em São Tomé e Príncipe”, lê-se ainda.

Segundo informação da Presidência da República de Cabo Verde, a visita de Carlos Vila Nova é “um importante marco dos fraternos laços de amizade e cooperação entre os dois povos e países que partilham um percurso histórico singular e secular” e será “um momento oportuno para o reforço do diálogo e da cooperação bilateral e multilateral entre os dois arquipélagos irmãos que continuam a trilhar desafios comuns como Pequenos Estados Insulares unidos pela língua, pela cultura atlântica crioula, mas também pelas sofridas lutas e buscas permanentes das suas gentes por uma vida digna e soberana”.

O programa oficial de visita do Presidente de São Tomé e Princípe começa na manhã de segunda-feira, 28, com uma reunião entre os dois chefes de Estado, no Palácio Presidencial, na Praia, seguido de uma conferência de imprensa conjunta dos dois chefes de Estado, de uma intervenção de Carlos Vila Nova na Assembleia Nacional e de uma reunião com o primeiro-ministro cabo-verdianoa, Ulisses Correia e Silva.

No texto do decreto que aprova a atribuição da Ordem Amílcar Cabral, primeiro grau, ao Presidente Carlos Vila Nova, o chefe de Estado cabo-verdiano afirma que “São Tomé e Príncipe e Cabo Verde são dois arquipélagos irmãos”, unidos por “um percurso histórico secular, feito de suor, dor e sangue, mas também de esperança, de alegrias partilhadas e, sobretudo, da comum determinação de conquistar o direito a ser donos do seu próprio destino, num contexto de liberdade, de dignidade e de autodeterminação e soberania”.

José Maria Neves já atribuiu esta medalha em março último, durante a visita de Estado à Praia, ao Presidente de Angola, João Lourenço, enquanto o seu antecessor, Jorge Carlos Fonseca, concedeu o mesmo galardão em 2021 a Umaro Sissoco Embalo, Presidente da Guiné-Bissau.

Ainda no mesmo decreto, José Maria Neves recorda “as circunstâncias dramáticas em que muitos cabo-verdianos e cabo-verdianas foram levados a partir para as chamadas terras do sul”, numa “verdadeira emigração forçada então empreendida pelas autoridades coloniais, abriram caminho a uma convivência humana em que, de sol a sol, ombro a ombro, são-tomenses e cabo-verdianos passaram a enfrentar juntos as agruras desses tempos de todas as privações”.

“Forjou-se, na verdade, uma realidade social e humana que é parte integrante, indissociável mesmo, de todo o São Tomé e Príncipe. Apesar da imensidão do oceano, o arquipélago irmão teve sempre lugar cativo no pensamento e no desvelo da nação cabo-verdiana. ‘Es caminho longe pa São Tomé’, tão expressivamente identificado na canção ‘Sodade’, popularizada por Cesária Évora, foi sempre encurtado por múltiplas pontes de afeto e fraternidade”, descreve José Maria Neves.

A presença em São Tomé e Príncipe “de uma relevante comunidade de cabo-verdianos e seus descendentes, já na quarta geração, reforça ainda mais esta profunda ligação” entre os dois povos e Estados, “estimulando e facilitando entendimentos convergentes sobre as metas a alcançar no relacionamento bilateral, bem como sobre problemáticas e desafios globais na arena internacional, com especial enfoque naqueles que mais diretamente afligem os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento”, refere ainda.

“No plano estritamente bilateral, é reconfortante o quadro de relações existentes, com instrumentos de cooperação bem objetivos e que abarcam os mais variados setores da vida dos dois países, nomeadamente os da Educação, da Saúde, da Justiça, das Pescas e da Agricultura. Outros setores, como o das Novas Tecnologias/Economia Digital/Governação Eletrónica, o do Turismo e o da Administração Pública e Municipal, bem como o setor privado, evidenciam igualmente o patamar destas excelentes relações e o desejo comum de ir mais além, cada vez mais além”, conclui o chefe de Estado cabo-verdiano.

PVJ // PJA

By Impala News / Lusa

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