Portugal e Espanha celebram cooperação bilateral 500 anos após circum-navegação

Portugal e Espanha celebraram hoje em Sevilha a cooperação bilateral entre os dois países, refletida em diversos níveis, desde os territórios transfronteiriços ao âmbito europeu, e cujas bases foram lançadas há 500 anos.

Portugal e Espanha celebram cooperação bilateral 500 anos após circum-navegação

Portugal e Espanha celebram cooperação bilateral 500 anos após circum-navegação

Portugal e Espanha celebraram hoje em Sevilha a cooperação bilateral entre os dois países, refletida em diversos níveis, desde os territórios transfronteiriços ao âmbito europeu, e cujas bases foram lançadas há 500 anos.

“A primeira viagem de circum-navegação da Terra foi uma façanha conjunta luso-espanhola”, que “acelerou o intercâmbio de pessoas, bens, ideias e valores” e lançou, “desta forma, as bases de uma globalização” que continua “a colocar desafios de diversa natureza”, além de ter consolidado “a vocação europeia e atlântica de ambos os países”, “lançando as bases de uma estreita cooperação bilateral”, lê-se numa declaração conjunta dos ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Espanha assinada hoje em Sevilha.

O mesmo texto destaca a Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço assinada em 2020, “que elevou o relacionamento” entre Portugal e Espanha “e a cooperação transfronteiriça a um novo patamar”.

No âmbito europeu, Portugal e Espanha sublinham a intenção de continuarem “a trabalhar de forma coordenada para articular as suas posições e defender os seus interesses comuns na União Europeia, atendendo à respetiva condição de países periféricos, de vocação mediterrânica e ibero-americana, e face aos desafios colocados pelas interligações”.

“O reconhecimento da singularidade energética da Península Ibérica, no contexto da crise dos preços da energia que está a atingir a Europa, em consequência da guerra na Ucrânia, é um sucesso partilhado que nos deve incentivar a continuar a trabalhar na reforma do mercado energético europeu”, lê-se no mesmo texto.

A declaração faz referência à próxima presidência espanhola da União Europeia (UE), no segundo semestre de 2023, dizendo que “assumirá a prossecução de muitas das prioridades da Presidência portuguesa, no primeiro semestre de 2021”, e que “será uma oportunidade única para colocar a cooperação luso-espanhola ao serviço da Europa e dos europeus”.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, manifestou, numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo espanhol, José Manuel Albares, “total confiança e entusiasmo na presidência espanhola”, tanto “no plano interno” da UE, “em matérias fundamentais que precisam de ter impulso forte”, como é o caso do “dossiê energético”, como no que respeita a relações externas.

Neste âmbito, referiu a vocação “mediterrânica e ibero-americana que Portugal e Espanha partilham” e que “seguramente terá também forte impacto nas relações externas da União Europeia em 2023, fruto da liderança espanhola” do Conselho da União Europeia.

A primeira volta ao mundo terminou faz hoje 500 anos em Sevilha, depois de três anos de navegação que comprovou, pela primeira vez, que a Terra é redonda, numa expedição comandada inicialmente pelo português Fernão de Magalhães e, depois da sua morte nas Filipinas, pelo espanhol Juan Sebastián Elcano.

O encerramento das comemorações do V centenário da primeira volta ao mundo conta hoje com a presença em Sevilha do Rei espanhol, Felipe VI, e dos ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e de Espanha.

Cravinho sublinhou que os dois países iniciaram há três anos as comemorações da viagem de Magalhães e Elcano como um “programa ambicioso” que foi “largamente” ultrapassado em relação ao previsto, com “centenas e centenas de ações e iniciativas” em Portugal e Espanha, mas também em “dezenas de países mundo fora”, apesar da pandemia, que coincidiu com “dois dos três anos destas comemorações”.

Em relação ao futuro, os dois ministros, tal como está escrito na declaração conjunta, reafirmaram o empenho de Portugal e Espanha em inscrever a viagem de Magalhães e Elcano na Memória do Mundo da Unesco (o organismo das Nações Unidas para a Educação e Cultura).

Além disso, a primeira volta ao mundo é “inspiradora” para desenvolver “novas atividades, mais atividades, com o mesmo tipo abordagem comum”, disse Gomes Cravinho.

“A experiência das comemorações espoletou sede de conhecimento”, tal como fez a viagem de circum-navegação de há 500 anos, e é provável que na próxima cimeira luso-espanhola, em outubro, “haja reflexão” sobre esta “experiência conjunta” e a forma de a projetar no futuro, acrescentou.

O encerramento das comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação hoje em Sevilha contou também com a apresentação do livro “Espanha e Portugal na globalização. 500 anos desde a primeira circum-navegação”, uma co-autoria do CEI-ISCTE (Centro de Estudos Internacionais do Iscte — Instituto Universitário de Lisboa) e do Real Instituto Elcano, que conta com contributos de mais de 30 investigadores dos dois países.

MP // RBF

By Impala News / Lusa

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