Portugal deve continuar a usar Macau como plataforma na relação com a China

O presidente do Instituto Internacional de Macau, Jorge Hagedorn Rangel, defendeu hoje que Portugal não se pode conformar com o legado luso em Macau, devendo continuar a usar o território como uma plataforma na sua ligação com a China.

Portugal deve continuar a usar Macau como plataforma na relação com a China

Portugal deve continuar a usar Macau como plataforma na relação com a China

O presidente do Instituto Internacional de Macau, Jorge Hagedorn Rangel, defendeu hoje que Portugal não se pode conformar com o legado luso em Macau, devendo continuar a usar o território como uma plataforma na sua ligação com a China.

“Temos que olhar para o amanhã e ajudar a construir o futuro de Portugal, mas para isso o país tem que ter uma capacidade de afirmação e deve continuar a usar Macau como uma plataforma sua nesta ligação com a China para se afirmar naquele vasto Oriente, onde grande parte do futuro da humanidade está em jogo”, disse Hagedorn Rangel.

O presidente do Instituto Internacional de Macau falava durante o II Congresso Internacional “Diálogos Interculturais Portugal-China”, que decorre de 13 a 15 de março, na Universidade de Aveiro.

Na sua intervenção, Hagedorn Rangel disse que a China quer transformar Macau num centro mundial de turismo e lazer, realçando os investimentos que têm sido feitos na área das acessibilidades.

“Há poucos meses foi inaugurada a maior ponte do mundo que liga Hong Kong a Macau. As ligações à China também vão crescendo. Há uma rede de alta velocidade que hoje liga já Pequim a Cantão e nós continuamos a dormir neste país. Vamos acordar depressa, porque há aqui um desafio extraordinário que é lançado à humanidade. Portugal não pode deixar de acompanhar tudo isto”, observou.

O mesmo responsável mostrou-se ainda preocupado com o “excessivo entusiasmo e otimismo” que algumas pessoas em Portugal têm em relação ao futuro da China, adiantando que é preciso acompanhar o que está a acontecer no país, nomeadamente a população de Macau, porque serão sempre “vítimas de qualquer erro que possa ser cometido”.

“Queremos que corra tudo bem, mas temos que olhar para a China com estes olhos críticos com muita preocupação, porque os problemas não vão ser poucos”, disse.

O presidente do Instituto referiu ainda que a presença de Portugal e dos portugueses em Macau “continua forte”, adiantando que esta participação é “oficialmente desejada”.

“As placas toponímicas de Macau permanecem bilingues, tendo sido plenamente respeitados os nomes originais das vias públicas, sendo preocupação visível do Instituto Municipal de Macau a manutenção da traça portuguesa nos arranjos urbanísticos com recurso, muitas vezes, à calçada portuguesa na decoração artística dos passeios do centro histórico”, exemplificou.

Hagedorn Rangel apontou ainda o caso da atividade editorial na língua portuguesa que permanece “muito significativa”, havendo ainda vários órgãos de comunicação social em língua portuguesa: três jornais diários, um semanário bilingue, uma rádio, um canal de televisão e muitas revistas.

O mesmo responsável referiu ainda que há muitas iniciativas ligadas a instituições portuguesas, académicas ou não, e destacou o papel “importantíssimo” da Igreja Católica, adiantando que continua a haver missas, procissões e outras atividades religiosas em português.

Promovido pelo Instituto Confúcio da Universidade de Aveiro, o II Congresso Internacional “Diálogos Interculturais Portugal-China” acontece no ano em que se assinalam os 70 anos da proclamação da República Popular da China, os 40 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a República Popular da China e os 20 anos do retorno de Macau à China.

O programa do congresso inclui conferências plenárias, mesas-redondas, comunicações livres, pósteres, workshops e exposições.

JYDN // JH

By Impala News / Lusa

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