Polícia mexicana baleou manifestantes em protesto contra homicídio de mulheres

Uma manifestação em Cancún, sudeste do México, para protestar contra o homicídio de duas mulheres no fim de semana, terminou com a polícia a disparar contra os manifestantes, ferindo três pessoas, incluindo jornalistas.

Polícia mexicana baleou manifestantes em protesto contra homicídio de mulheres

Polícia mexicana baleou manifestantes em protesto contra homicídio de mulheres

Uma manifestação em Cancún, sudeste do México, para protestar contra o homicídio de duas mulheres no fim de semana, terminou com a polícia a disparar contra os manifestantes, ferindo três pessoas, incluindo jornalistas.

Cerca de dois mil manifestantes integravam uma marcha para protestar contra o homicídio de mulheres no estado de Quintana Roo, mas foram reprimidos a tiro pelas forças de segurança, um incidente já condenado pelas autoridades locais.

De acordo com a agência de notícias Efe, a polícia fechou a entrada da Câmara Municipal de Benito Juárez, em Cancún, com cercas metálicas. Os disparos começaram depois de algumas mulheres terem entrado nas instalações para exigir justiça para as vítimas de homicídio, no fim de semana.

O governador do estado de Quintana Roo, Carlos Joaquín González, condenou o incidente, numa mensagem na rede social Twitter.

“Condeno totalmente a intimidação e a agressão contra os manifestantes. Dei instruções precisas de não agressão nem [uso de] armas nas marchas que se realizariam hoje [segunda-feira]”, acrescentou.

O governador disse que iria investigar “a pessoa irresponsável que deu instruções diferentes destas e causou toda esta situação complicada para a sociedade de Quintana Roo”. “Agirei com firmeza para que a lei seja aplicada a quem quer que tenha cometido esta agressão”, afirmou.

A presidente da câmara de Cancun, Mara Lezama, também condenou os disparos da polícia.

“Na minha qualidade de presidente municipal, nunca ordenarei qualquer tipo de repressão contra os cidadãos. Dei instruções precisas para que se realizem as investigações correspondentes”, disse.

Alberto Capella, secretário para a Segurança Pública de Quintana Roo, com a tutela da polícia, escreveu no Twitter que “o que aconteceu” é “inaceitável”.

“Estou a ordenar uma investigação interna e a disponibilizar toda a informação ao Ministério Público do Estado para que este possa fazer o mesmo”, informou.

O diretor para a região da organização não-governamental Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, afirmou nas redes sociais que a “polícia local reprimiu um protesto com armas de fogo e tentou tirar telefones e câmaras aos jornalistas presentes”.

Além disso, dois jornalistas foram baleados, acrescentou, defendendo que “as autoridades devem investigar e punir os responsáveis”.

No fim de semana passado, duas mulheres foram mortas em Cancún em menos de 24 horas.

Na segunda-feira, a Procuradoria do estado de Quintana Roo confirmou a descoberta em Cancún do corpo de uma mulher de 20 anos, desaparecida dois dias antes.

De acordo com a Procuradoria, o corpo, mais tarde identificado pelos familiares da vítima, tinha “sinais claros de violência”.

Após o anúncio da descoberta, foram convocadas ações para denunciar a ineficácia das autoridades para combater e punir estes crimes e a violência de género, num país que no ano passado registou 1.012 homicídios de mulheres, os números mais elevados de que há registo.

De acordo com o Ministério Público de Quintana Roo, uma dúzia de mulheres foram mortas até agora naquele estado.

PTA // JMC

By Impala News / Lusa

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