Polícia expulsa comissão que queria ouvir bastonária da Ordem dos Médicos angolanos

Uma “comissão de bons ofícios”, que se deslocou hoje à Ordem dos Médicos de Angola, para ouvir a bastonária, acabou expulsa do local pela polícia, avisada de que um grupo de médicos queria forçar um encontro com Elisa Gaspar.

Polícia expulsa comissão que queria ouvir bastonária da Ordem dos Médicos angolanos

Polícia expulsa comissão que queria ouvir bastonária da Ordem dos Médicos angolanos

Uma “comissão de bons ofícios”, que se deslocou hoje à Ordem dos Médicos de Angola, para ouvir a bastonária, acabou expulsa do local pela polícia, avisada de que um grupo de médicos queria forçar um encontro com Elisa Gaspar.

Em comunicado a que Lusa teve acesso, a “comissão de bons ofícios”, integrada na comissão de gestão da Ordem dos Médicos, saída da assembleia geral de 17 de outubro, disse que tinha como funções ouvir a bastonária da Ordem dos Médicos, Elisa Gaspar, sobre as questões que levaram à sua destituição, aprovada por 4.395 médicos inscritos, mais 222 médicos da região sul e leste.

A comissão tinha ainda como objetivo persuadir Elisa Gaspar e levá-la a “perceber os propósitos das motivações dos médicos” e que “acatasse as deliberações da magna assembleia”, que alega terem respaldo nos estatutos da Ordem dos Médicos.

Nesse sentido, a comissão deslocou-se na manhã de hoje à Ordem, tendo sido informada de que a bastonária não estaria presente, sem terem sido avançadas as razões.

Segundo a comissão, a delegação solicitou ao secretariado que fosse cedida uma sala para reunir, ao que não foi atendida, porque “as salas estavam todas ocupadas”.

“Confirmámos que havia salas desocupadas, ficámos no hall exterior do edifício à espera da Dra. Elisa Gaspar. Pelas 09:45 vimos um aparato policial composto por 15 elementos fortemente armados e que entraram pela Ordem adentro e se posicionaram próximos de nós”, explicou a nota.

De acordo com o documento, um dos elementos da comissão explicou à polícia o motivo da sua presença no local e questionou o motivo da presença policial no edifício, tendo sido informado de que foram chamados porque um grupo de médicos queria forçar um encontro com a bastonária e invadir a Ordem.

“Disse-lhes que os únicos que se encontravam na Ordem com o propósito único de bons ofícios éramos nós e que nenhum de nós tinha intenções malévolas”, referiu a nota, que repudiou o facto de a polícia ter impedido que dessem entrevistas a alguns órgãos de comunicação dentro do recinto da Ordem dos Médicos.

“A nossa casa comum, uma atitude profundamente reprovável e inqualificável”, salientou o comunicado, informando que “face ao posicionamento da Dra. Elisa Gaspar”, a comissão “cessa as suas funções a partir de hoje”.

Em causa estão divergências entre a bastonária da Ordem dos Médicos e alguns profissionais da classe médica, descontentes com a sua gestão e o seu desempenho, com acusações de alegado desvio de fundos e bens patrimoniais da instituição, o que levou à realização de uma assembleia geral extraordinária, que deliberou a sua destituição do cargo e a constituição de uma comissão de gestão.

Elisa Gaspar tem negado sempre as acusações e afirmou que permanecerá no seu cargo até ao final do mandato.

 

NME // LFS

By Impala News / Lusa

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