Polícia do Brasil detém grupo de manifestantes que exibiu faixa contra Bolsonaro

Cinco manifestantes foram hoje detidos em Brasília após exibirem uma faixa de protesto contra o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, chamando-o de “genocida” e associando-o à cruz suástica, principal símbolo do nazismo.

Polícia do Brasil detém grupo de manifestantes que exibiu faixa contra Bolsonaro

Polícia do Brasil detém grupo de manifestantes que exibiu faixa contra Bolsonaro

Cinco manifestantes foram hoje detidos em Brasília após exibirem uma faixa de protesto contra o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, chamando-o de “genocida” e associando-o à cruz suástica, principal símbolo do nazismo.

Segundo a imprensa local, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) deteve o grupo sob a acusação de infringir a Lei de Segurança Nacional e encaminhou-o para uma unidade da Polícia Federal, uma vez que os delitos enquadrados nessa lei são crimes federais.

De acordo com o jornal O Globo, parte dos manifestantes detidos são militantes do Partido dos Trabalhadores (PT), principal oposição de Bolsonaro.

A Lei de Segurança Nacional define condutas que atentem contra a segurança do país, ordem política e social e foi publicada em 1983, durante o regime militar no Brasil.

Esta semana, Felipe Neto, um dos maiores ‘youtubers’ brasileiros, também foi intimado a depor por suposto crime previsto na Lei de Segurança Nacional, por ter classificado o Presidente de “genocida” no combate à pandemia de covid-19.

O ‘youtuber’, que tem ascendência portuguesa, anunciou a convocação através das redes sociais e indicou que a queixa-crime partiu do vereador Carlos Bolsonaro, filho do chefe de Estado.

“A clara tentativa de silenciamento se dá pela intimidação. Eles querem que eu tenha medo, que eu tema o poder dos governantes. Já disse e repito: um Governo deve temer seu povo, NUNCA o contrário. Carlos Bolsonaro, você não me assusta com seu autoritarismo. Não vai me calar”, afirmou nas redes sociais o ‘youtuber’, que é também empresário, ator, escritor.

“Durante a gestão do PT, sempre fui uma oposição ferrenha e diversas vezes ataquei os ex-presidentes Lula [da Silva] e Dilma [Rousseff], inclusive com inúmeras ofensas e acusações. Nunca recebi sequer uma cartinha de fim de ano com uma reprimenda e um pedido de retratação. Já na gestão Bolsonaro, a perseguição é absoluta desde o primeiro dia de governo”, assegurou, em entrevista à BBC.

Contudo, a justiça do Rio de Janeiro suspendeu hoje a investigação contra Neto, alegando que a competência para apurar o caso não é da Polícia Civil, mas sim da Polícia Federal.

O ‘youtuber’ anunciou ainda hoje que criou uma frente de advogados para oferecer defesa gratuita a pessoas que forem processadas e investigadas por críticas ou manifestações contra Bolsonaro.

Aos casos de Felipe Neto e do grupo de manifestantes hoje detido, junta-se ainda um outro ocorrido no estado de Tocantins, onde duas pessoas são investigadas devido a ‘outdoors’ contra o chefe de Estado.

Segundo O Globo, o ministro da Justiça, André Mendonça, determinou que a Polícia Federal investigue duas pessoas envolvidas nessas mensagens contra Jair Bolsonaro, que indicavam que o Presidente “vale menos que um pequi roído”, uma gíria que significa que alguém não tem valor.

O outro cartaz dizia que o Presidente “mente”.

“Diante dos factos narrados, requisito ao diretor-geral da Polícia Federal que adote as providências para a abertura de inquérito policial com vistas à imediata apuração de crime contra a honra do Presidente da República”, escreveu o ministro, em 08 de dezembro.

Em janeiro, a organização não-governamental Human Rights Watch denunciou o facto de o Governo do Brasil usar a Lei de Segurança Nacional de 1983 para pedir sentenças de prisão contra pessoas que criticaram as suas ações na pandemia de covid-19.

“Num país democrático que protege a liberdade de expressão, a população deveria ser capaz de monitorizar e criticar autoridades, e debater livremente questões de interesse público, sem medo de retaliação ou punição”, disse José Miguel Vivanco, diretor da divisão para as Américas da Human Rights Watch.

MYMM (CYR) // LFS

By Impala News / Lusa

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