PM timorense mantém confiança em membros do Governo, espera conclusão investigação

O primeiro-ministro timorense disse hoje que mantém a confiança em três membros do seu Governo que alegadamente terão feito pressão para afastar o responsável do Serviço Nacional de Inteligência (SNI), afirmando que há que esperar investigações.

PM timorense mantém confiança em membros do Governo, espera conclusão investigação

PM timorense mantém confiança em membros do Governo, espera conclusão investigação

O primeiro-ministro timorense disse hoje que mantém a confiança em três membros do seu Governo que alegadamente terão feito pressão para afastar o responsável do Serviço Nacional de Inteligência (SNI), afirmando que há que esperar investigações.

“Deixa as investigações correrem. Eu prefiro que as investigações corram. Com certeza mantenho confiança [nos membros do Governo]. Há um princípio de presunção de inocência e temos os tribunais para decidir”, afirmou Taur Matan Ruak que é também ministro do Interior.

O chefe do Governo respondia à Lusa depois da reunião semanal com o Presidente da República, José Ramos-Horta, que decorreu no Palácio Presidencial em Díli.

Em causa estão suspeitas, veiculadas pela imprensa timorense de alegada intervenção de membros do seu Governo no processo relacionado com a apreensão na semana passada de 130 mil dólares (134 mil euros) e de 40 milhões de rupias indonésias (2.680 euros) que estavam a ser transportadas para fora do país.

Fonte policial disse à Lusa que os três cidadãos timorenses que transportavam o dinheiro estarão ligados a José Naimori, presidente do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), um dos três partidos do Governo, com fonte partidária a explicar que os fundos se destinavam a comprar material partidário.

Fontes aeroportuárias explicaram que depois da deteção do dinheiro, o próprio Naimori se deslocou ao aeroporto para tentar reaver o dinheiro, tendo-se dirigido também ao aeroporto pelo menos dois membros do Governo, ambos do KHUNTO.

Os fundos foram confiscados pelas autoridades policiais, dos serviços de inteligência e de investigação criminal, já que estavam acima do que pode ser transportado para o estrangeiro sem declaração expressa do Banco Central de Timor-Leste (BCTL).

Tanto o dinheiro como outra informação recolhida pela Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC) foram já remetidas ao Ministério Público, confirmou hoje à Lusa fonte da força policial.

A polémica em torno ao caso aumentou, porém, depois de se terem tornado virais imagens videoamadoras de uma reunião em que participaram, entre outros, o próprio Naimori, os vice-ministros da Justiça, José Edmundo Caetano, e do Interior, António Armindo, e um investigador do Serviço Nacional de Inteligência (SNI), Gastão Piedade.

Nas imagens, Gastão da Piedade acusa o vice-ministro da Justiça de tentar intervir na investigação, explicando que se tem que cumprir a lei que obriga a identidade o proprietário e a origem do dinheiro, antes que possa ser devolvido.

No vídeo, o próprio Naimori (marido da vice-primeira-ministra Armanda Berta dos Santos) liga para o primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, para pressionar sobre o caso, passando depois o telefone a Gastão Piedade.

O agente repete o que diz a lei sobre estes casos, tendo o chefe do Governo confirmado aos jornalistas que se limitou a dizer que a lei é para ser cumprida.

Nas últimas 48 horas a imprensa timorense alega que o vice-ministro do Interior, Antonio Armindo, terá escrito ao comando da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) para demitir Gastão Piedade.

Questionado pela Lusa sobre essa notícia, Antonio Armindo negou que tenha escrito qualquer carta sobre esse assunto para a PNTL, referindo que afastar Gastão Piedade é competência do ministro do Interior, ou seja Taur Matan Ruak.

“Nego categoricamente ter escrito qualquer carta. Obviamente que há sempre cartas que são recebidas com referências a agentes ou à PNTL, enviadas por várias pessoas, até pela sociedade civil. Mas isso é tratado internamente”, disse Armindo.

“Em situações de denuncias ou queixas, o assunto é investigado e se houver ações disciplinares a tomar, são tomadas. O que parece passar-se neste caso é uma crescente politização do que aconteceu”, afirmou.

Na segunda-feira o deputado José Agustinho Sequeira “Somotxo”, da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) — um dos partidos do Governo – e presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Segurança Nacional do Parlamento Nacional, defendeu uma investigação ao caso por alegada obstrução de justiça por membros do Governo.

“Os membros do Governo podem ter cometido o crime de obstrução à justiça, uma tentativa de impedir a ação das autoridades policiais e judiciais. Esta ação deve ser investigada e cabe aos serviços de investigação avançar na investigação”, disse Somotxo.

“Este é um assunto muito sério e que tem que ser investigado até às últimas consequências. A lei é para todos, sejam membros do Governo ou qualquer outra pessoa”, afirmou.

Questionado pela Lusa sobre o caso e a polémica lançada em torno à sua investigação, o chefe de Estado, José Ramos-Horta, disse que, para já, preferia não comentar.

“Isto é um imbróglio que cabe ao Governo esclarecer, pois está de posse de informações sobre circunstâncias e dados concretos. Este caso ainda não subiu para o patamar da Presidência da República. Por isso não vou comentar”, disse.

 

ASP // MAG 

By Impala News / Lusa

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