PM indiano justifica revogação de lei para combater “terrorismo e separatismo” em Caxemira

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, justificou hoje a revogação do estatuto de autonomia da Caxemira para libertar do “terrorismo” e do “separatismo” este território da região dos Himalaias de maioria muçulmana, situado no extremo norte do país.

PM indiano justifica revogação de lei para combater

PM indiano justifica revogação de lei para combater “terrorismo e separatismo” em Caxemira

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, justificou hoje a revogação do estatuto de autonomia da Caxemira para libertar do “terrorismo” e do “separatismo” este território da região dos Himalaias de maioria muçulmana, situado no extremo norte do país.

“Meus amigos, estou convencido que poderemos libertar o Jammu e Caxemira do terrorismo e do separatismo com esta forma de organização”, afirmou o dirigente nacionalista num discurso transmitido pela televisão.

Foi a primeira vez que Modi se exprimiu publicamente desde a decisão anunciada pelo seu Governo na segunda-feira sobre o fim do estatuto de autonomia desta região, em vigor há 70 anos.

“Já caiu este sistema que privou de muitos direitos os nossos irmãos de Jammu, Caxemira e Ladakh [as divisões administrativas] e que foi um importante obstáculo ao seu desenvolvimento, e que agora desaparece”, disse.

A medida, um movimento político sem precedentes sobre este território disputado entre a Índia e o Paquistão foi considerada uma “decisão histórica” pelo líder hindu.

“Estou seguro que a população de Jammu e Caxemira superará o separatismo e avançará com novas esperanças”, acrescentou.

A decisão do Governo de Nova Deli, que implicou a alteração do artigo 370 da Constituição para abolir o estatuto especial da região, revogou o privilégio que permitia ao Estado de Jammu e Caxemira aprovar as suas próprias leis, manter a sua bandeira, Constituição e direitos de cidadania.

“No novo sistema o Governo central terá como prioridade que os funcionários de Jammu e Caxemira, a polícia de Jammu e Caxemira, tenham as mesmas instalações que os demais territórios da União”, disse, entre uma lista de medidas que prometeu aplicar, incluindo a promoção do crescimento.

“Isto proporcionará oportunidades de emprego aos jovens locais”, disse, para além de promover mais turismo, a chegada da indústria do cinema de Bollywood à região, mais centros desportivos e numerosos investimentos em infraestruturas.

O Governo indiano anunciou na segunda-feira a revogação do estatuto especial que conferia autonomia constitucional de Caxemira, único Estado indiano de maioria muçulmana.

O Paquistão, que já travou três guerras contra a Índia, duas das quais por causa de Caxemira, considerou ilegal a decisão e, na quarta-feira, expulsou o embaixador indiano e pôs fim ao comércio bilateral.

Hoje, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, esteve em contacto, via telefone, com os seus homólogos da Índia e do Paquistão, defendendo “uma solução política bilateral”.

Os habitantes da Caxemira indiana vivem desde domingo totalmente isolados do mundo, com os meios de comunicação bloqueados e as deslocações e reuniões proibidas.

Os dois países disputam a região montanhosa na totalidade, desde a partição subcontinente, em 1947, no final da época colonial britânica.

Diferentes grupos separatistas combatem, há várias décadas, a presença de cerca de 500 mil soldados indianos na região, para exigir a independência do território ou a integração no Paquistão.

Dezenas de milhares de pessoas, na grande maioria civis, morreram no conflito.

PCR // EL

By Impala News / Lusa

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