PM esloveno enfrentará destituição na próxima semana a meses de presidir UE

O primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, vai enfrentar na próxima semana um processo de destituição, a pouco tempo de a Eslovénia assumir, em 01 de julho, a presidência rotativa da União Europeia (UE).

PM esloveno enfrentará destituição na próxima semana a meses de presidir UE

PM esloveno enfrentará destituição na próxima semana a meses de presidir UE

O primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, vai enfrentar na próxima semana um processo de destituição, a pouco tempo de a Eslovénia assumir, em 01 de julho, a presidência rotativa da União Europeia (UE).

Depois de duas moções de censura, este conservador acusado de imitar as políticas e o estilo autoritário do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, vai enfrentar um processo de destituição na próxima terça-feira que pode encurtar o seu terceiro mandato.

Previstos originalmente para esta semana, os debates foram adiados no último minuto.

Admirador assumido do ex-Presidente norte-americano Donald Trump, o líder conservador, de 62 anos, terá, segundo a oposição deste país de dois milhões de habitantes, limitado os direitos dos seus cidadãos sob o pretexto da luta contra a pandemia do novo coronavírus.

Os seus opositores acusam-no de pressionar o poder judicial e atacar os meios de comunicação social na rede social Twitter, o que lhe rendeu a alcunha de “Marechal Twitto”, em referência ao ex-Presidente Josep Tito, da antiga Jugoslávia, da qual a Eslovénia fazia parte.

O resultado da votação de destituição permanece incerto: 38 dos 90 membros eleitos do Parlamento apoiam o Governo, devendo, portanto, reunir deputados independentes para evitar a saída do primeiro-ministro.

Entretanto, mesmo que sobreviva a esse novo episódio, o polémico Jansa não vai silenciar os protestos que crescem nas ruas, avisa um dos organizadores das manifestações, Jasa Jenull, entrevistado pela agência de notícias AFP.

Quase todas as sextas-feiras, milhares de pessoas reúnem-se no centro da capital, Ljubljana, para expressar o seu “imenso descontentamento”, repetindo a frase “Parem o ditador”.

“Com o passar das semanas, os alicerces do Estado de direito estão cada vez mais ameaçados” e “o mais urgente é parar” esta espiral, explicou este manifestante, que espera a realização de eleições antecipadas.

Para o académico Vlado Miheljak, está-se a chegar a um “ponto de rutura”, já que o primeiro-ministro reúne apenas 30% de opiniões favoráveis, estando a tornar-se cada vez mais impopular.

O líder esloveno tem ignorado as advertências da Comissão Europeia, que incluiu avisos ao país no seu relatório sobre o Estado de direito, publicado em setembro de 2020 e, recentemente, instou-o a preservar “a pluralidade dos meios de comunicação”.

No final de março, Janez Jansa desligou-se abruptamente de uma audição por videoconferência com deputados europeus sobre liberdade de imprensa, para protestar contra a recusa destes em permitir a transmissão de um vídeo que tinha preparado a gritar “censura”.

“Não devemos nada à UE”, escreveu Jansa no Twitter, chamando alguns dos membros de “burocratas muito bem pagos”.

Ljubljana decidiu também cancelar a tradicional exposição de arte do país realizada pelo país preside a UE, tendo o Ministério da Cultura esloveno argumentado na quarta-feira que considerava “inaceitável” não ter controlo sobre a seleção das obras.

CSR // PMC

By Impala News / Lusa

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