Pico da dívida já passou e há “conforto relativo a médio prazo”, segundo a Fitch

O pico do rácio da dívida pública em Portugal face ao Produto Interno Bruto foi em 2020, e a política monetária do Banco Central Europeu dá “conforto relativo a médio prazo”, disseram dois analistas da Fitch à Lusa.

Pico da dívida já passou e há

Pico da dívida já passou e há “conforto relativo a médio prazo”, segundo a Fitch

O pico do rácio da dívida pública em Portugal face ao Produto Interno Bruto foi em 2020, e a política monetária do Banco Central Europeu dá “conforto relativo a médio prazo”, disseram dois analistas da Fitch à Lusa.

O pico do rácio da dívida pública em Portugal face ao Produto Interno Bruto foi em 2020, e a política monetária do Banco Central Europeu dá “conforto relativo a médio prazo”, disseram dois analistas da Fitch à Lusa.

“Em primeiro lugar, para Portugal esperamos que o rácio da dívida [pública face ao PIB] tenha atingido o pico em 2020”, disse o analista da agência de ‘rating’ Alex Muscatelli à Lusa.

De acordo com o analista, apesar de um “grande nível nominal da dívida, que vai aumentar por mais dois ou três anos, o rácio começará a descer no próximo ano”, algo que leva a uma “tendência decrescente”, tal como aconteceu nos três anos anteriores aos da pandemia.

De acordo com o Banco de Portugal, a dívida pública portuguesa atingiu os 133,7% do PIB em 2020, sendo que a Fitch apontava para 136,2% e o Governo para 134,8%. A Fitch estima um rácio de 133,5% em 2021.

A também analista da Fitch Kit Yeung destacou que “Portugal ainda tem termos de financiamento muito favoráveis, e isto acontece sobretudo pelo grande programa de compras do BCE”, mas também “pelo baixo custo das taxas de juro e uma maturidade da dívida relativamente longa”.

Alex Muscatelli referiu que “o muito baixo nível das taxas de juro dá um apoio chave, mas este apoio não irá embora de um dia para o outro”.

O analista acrescentou que a maturidade média da dívida, “de mais de sete anos e meio”, significa que “mesmo que houvesse um aumento das taxas de juro marginais isso levaria tempo a traduzir-se no aumento do custo médio da dívida”.

“Isso é uma fonte de conforto relativo a médio prazo relativamente ao fardo da dívida e dos juros”, vincou, não prevendo “uma quebra ou um ‘precipício’ na procura”, também devido à extensão dos programas do BCE para 2022 e 2023.

Kit Yeung referiu-se também à emissão de dívida pública a 30 anos realizada na quarta-feira pelo IGCP, considerando que “salienta que ainda há uma confiança bastante boa nos fundamentos que os investidores conferem a Portugal, apesar da deterioração e dos números orçamentais que vimos como resultado da pandemia”.

“Claro que há a necessidade de manter uma trajetória da dívida estável, e penso que o Governo está muito comprometido em levar a dívida pública para baixo depois da pandemia de covid-19”, destacou a analista.

Quanto a ‘ratings’, Alex Muscatelli referiu que “a perspetiva ‘estável’ em si diz que é mais provável que o ‘rating’ fique na mesma do que mude”.

“Acho que é justo dizer que a dinâmica [da dívida] pode ter interrompido uma dinâmica positiva do ‘rating’, mas ao mesmo tempo não vemos preocupações imediatas acerca da sustentabilidade da dívida pública”, referiu o analista.

Em novembro, a Fitch manteve o ‘rating’ da dívida de longo prazo de Portugal em BBB, nível de investimento, e com perspetiva estável.

 

 

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