Petrolífera norte-americana afasta-se da exploração de cinco blocos em São Tomé e Príncipe

A petrolífera norte-americana, Kosmos Energy vai abandonar, a favor da Shell, cinco dos seis blocos petrolíferos onde é operadora e tem direitos de participação na Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe, indicou fonte oficial.

Petrolífera norte-americana afasta-se da exploração de cinco blocos em São Tomé e Príncipe

Petrolífera norte-americana afasta-se da exploração de cinco blocos em São Tomé e Príncipe

A petrolífera norte-americana, Kosmos Energy vai abandonar, a favor da Shell, cinco dos seis blocos petrolíferos onde é operadora e tem direitos de participação na Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe, indicou fonte oficial.

“A Kosmos vai ficar apenas com o bloco 5, onde é operadora. Decidiu abandonar todos os outros porque com a pandemia da covid-19 os investimentos ficaram muito mais elevados e os riscos também”, disse à Lusa o diretor técnico da Agência Nacional de Petróleo (ANP) são-tomense, Fausto Vera Cruz.

A empresa norte-americana é operadora e tem direitos de participação nos blocos 5, 6, 10, 11 e 13 na ZEE são-tomense. Vai abandonar todos e ficar apenas com o bloco 5.

Os direitos de exploração da Kosmos em todos estes blocos passarão a ser adquiridas pela Shell, estando, segundo Fausto Vera Cruz, “as negociações já bastante avançadas”.

A Shell anunciou, entretanto, que vai efetuar perfuração no bloco 6 da zona económica exclusiva no segundo semestre de 2021.

O seu representante, Eduardo Rodrigues Eduardo Rodrigues esteve na capital são-tomense durante uma semana e teve vários encontros com o primeiro ministro Jorge Bom Jesus, o presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Delfim Neves, e com o ministro dos Recursos Naturais e Ambiente, Osvaldo Abreu, aos quais anunciou a intenção da sua empresa de efetuar a perfuração neste bloco.

O bloco 6 da ZEE de São Tomé e Príncipe tem a petrolífera portuguesa Galp como operadora e a norte-americana Kosmos Energy, a Shell e o Estado são-tomense, representado pela Agência Nacional de Petróleo como participadas.

O bloco 6 da zona económica exclusiva tem uma profundidade de cerca de 2.500 metros e cobre uma área de 5.023 quilómetros quadrados. Os custos da perfuração podem rondar entre 70 e 80 milhões de dólares (entre 58,9 e 67,3 milhões de euros).

“Não fosse por causa da pandemia, nessa altura já estaríamos a receber no nosso porto as maquinarias necessárias para estas perfurações”, lamentou Fausto Vera Cruz.

São Tomé e Príncipe tem 19 blocos de petróleo na sua zona económica exclusiva e a petrolífera norte-americana tinha direito de exploração em seis deles. Mas agora vai passar para a Shell todos os direitos em cinco desses blocos.

Em finais de junho do ano passado, a Kosmos Energy também havia anunciado que neste ano de 2020 dava início a perfuração de um dos seis blocos onde detém o direito de exploração.

Três meses depois, em setembro deste mesmo ano, esta empresa apresentou ao Governo o do arquipélago, os resultados da pesquisa sísmica realizado nos blocos 5, 6, 11 e 12 e nessa altura avançou finais do primeiro trimestre de 2020 como data provável para se iniciarem as perfurações.

As pesquisas feitas pela Kosmos abrangeram uma área de 16 mil quilómetros, considerada o maior programa sísmico realizado na África Ocidental. Fonte da empresa disse que as pesquisas já efetuadas revelam “dados positivos”.

No entanto, a pandemia de covid-19 fez recuar todo o processo.

As autoridades de São Tomé e Príncipe defendem que mesmo avançando para as perfurações, isso ainda não garante a exploração de petróleo, porque serão necessários estudos adicionais para definir a quantidade do produto encontrado, bem como do impacto ambiental.

MYB // VM

By Impala News / Lusa

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