Pelo menos um morto e vários feridos em manifestações no Sudão contra acordo com militares

Pelo menos uma pessoa morreu e há relatos de vários feridos entre manifestantes no Sudão, que contestam o acordo assinado hoje que permitiu ao primeiro-ministro Abdallah Hamdok, deposto por um golpe militar em 25 de outubro, reassumir o cargo

Pelo menos um morto e vários feridos em manifestações no Sudão contra acordo com militares

Pelo menos um morto e vários feridos em manifestações no Sudão contra acordo com militares

Pelo menos uma pessoa morreu e há relatos de vários feridos entre manifestantes no Sudão, que contestam o acordo assinado hoje que permitiu ao primeiro-ministro Abdallah Hamdok, deposto por um golpe militar em 25 de outubro, reassumir o cargo

Um jovem de 16 anos foi morto a tiro em Omdurman, um subúrbio de Cartum, segundo fontes médicas citadas pela agencia France-Presse, que também relatam “muitos feridos por balas”.

A policia disparou bombas de gás lacrimogéneo contra milhares de manifestantes que estavam nos portões do palácio presidencial, enquanto Hamdok recuperava a sua liberdade de movimentos, após cerca de um mês de prisão domiciliária, e reassumia o poder.

Os manifestantes marcharam em várias cidades do Sudão, mantendo a pressão sobre o exército, gritando “Não ao poder militar” e “Não ao general Abdel Fattah al-Burhan”.

O primeiro-ministro deposto por um golpe militar em 25 de outubro reassumiu hoje o cargo sob um acordo formalmente assinado hoje com o general Abdel Fattah al-Burhan, em Cartum.

Na sua primeira aparição pública desde o golpe militar, quando foi colocado em prisão domiciliária, Hamdok fez um breve discurso ao lado do general Al-Burhan, chefe do exército e autor do golpe.

Os dois homens disseram estar empenhados em retomar a transição para a democracia.

Este acordo – que aproxima o Sudão de um retorno às autoridades de transição civil-militares de acordo com a divisão do poder decidida em 2019, após a queda do ditador Omar al-Bashir – não alterou, no entanto, a mobilização nas ruas.

As organizações que lideraram a revolta de 2019 que pôs fim a 30 anos de ditadura, disseram recusar “o acordo de traidores que apenas vinculam os seus signatários”, nas palavras da Associação dos Profissionais Sudaneses.

Esta associação, que esteva na frente dos protestos de 2019, acusa ainda Hamdok de “suicídio político”.

A repressão dos protestos desde o golpe militar já deixou 41 mortos e centenas de feridos, segundo os médicos.

Após o golpe, embaixadores ocidentais, negociadores das Nações Unidas ou africanos e figuras da sociedade civil sudanesa aumentaram os seus encontros com civis e militares em Cartum para relançar uma transição que supostamente conduziria o país a eleições livres em 2023, após 30 anos de ditadura de Al-Bashir, afastado pelo exército sob a pressão das ruas.

A 25 de outubro, o general Al-Burhan mandou prender quase todos os civis no poder, pôs fim à união formada por civis e militares e declarou o estado de emergência. Hamdok, que liderava o governo de transição, foi colocado sob prisão domiciliária.

ANP (CSR) // JPS

By Impala News / Lusa

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