Pedro Nuno Santos diz que PS não se pode comportar como se tivesse maioria absoluta

O dirigente socialista disse que o PS não pode comportar-se como se tivesse maioria absoluta, mas sim colaborar com BE e PCP porque a geringonça “não pode ser um parêntesis na história”.

Pedro Nuno Santos diz que PS não se pode comportar como se tivesse maioria absoluta

Pedro Nuno Santos diz que PS não se pode comportar como se tivesse maioria absoluta

O dirigente socialista disse que o PS não pode comportar-se como se tivesse maioria absoluta, mas sim colaborar com BE e PCP porque a geringonça “não pode ser um parêntesis na história”.

Lisboa, 07 mar 2021 (Lusa) — O dirigente socialista Pedro Nuno Santos defendeu hoje que o PS não se pode comportar como se tivesse maioria absoluta, mas sim colaborar sem agressividade com BE e PCP porque a geringonça “não pode ser um parêntesis na história”.

“Nós não nos podemos comportar nem lidar com a governação como se nós tivéssemos maioria absoluta, quando nós não temos. Nós devemos procurá-la ativamente com outros partidos que têm visões semelhantes com as nossas. Esse esforço deve ser feito com o BE e com o PCP”, defendeu Pedro Nuno Santos numa iniciativa digital promovida pela Juventude Socialista (JS).

O também ministro das Infraestruturas e Habitação insistiu na aproximação do PS aos seus antigos parceiros da “Geringonça”, considerando que, apesar de existirem dentro do partido hesitações que não deveriam ter lugar, é à esquerda que os socialistas conseguem partilhar “uma ideia de liberdade, de igualdade e de fraternidade que depende de um Estado organizado e forte”.

“Se nós quisermos combater a direita de forma perene, nós temos de ser capazes de colaborar à esquerda, compreender, aceitar as diferenças e procurar encurtar caminho”, argumentou.

Na perspetiva do socialista que esteve à frente dos Assuntos Parlamentares durante grande parte do período da “Geringonça”, “uma democracia avançada precisa de dois blocos distintos”, que passam a existir se não houver enganos em relação a quem se deve o PS aliar.

“Em 2015, nós fizemos uma grande revolução na forma como nós interviemos politicamente em Portugal, quando felizmente e finalmente conseguimos superar bloqueios que vinham desde o início da nossa democracia e começámos a trabalhar do ponto de vista nacional — do ponto de vista local já tínhamos conseguido antes — com o PCP e com o BE”, lembrou.

Para Pedro Nuno Santos, o acordo com o PCP e o BE “foi uma vitória muito importante para o país, para a esquerda e para o povo português”.

Neste sentido, reiterou uma ideia que já tinha defendido anteriormente de que esta solução governativa “não pode ser um parêntesis na história” de Portugal.

“Cooperar com a esquerda para, aí sim, competir com a direita”, sintetizou.

O dirigente socialista deixou avisos à liderança do seu partido quando apelou à necessidade de o PS “aprender a lidar” com os partidos à sua esquerda.

“Saber respeitar quando eles não concordam connosco, quando nos combatem. Não é com agressividade que nós vamos conseguir recuperar a colaboração com os outros partidos. É compreendendo-os, é percebendo o que os leva a afastar”, defendeu.

Todas estas escolhas têm de ser feitas sem esquecer a história do PS, continuou Pedro Nuno Santos, lamentando quem no seio do partido haja quem “esteja preso a 1975” já que “a política mudou, o país mudou, os partidos mudaram”.

“O PCP – hoje também o BE – são elementos fundamentais na construção dessa sociedade mais justa, mais solidária”, afirmou.

Mas o socialista tinha ainda outros avisos para vozes dentro do PS, aquelas que usam algumas figuras históricas, como a de Mário Soares, “para defender as suas posições”.

Para fazer essa evocação da “maior figura do PS”, segundo Pedro Nuno Santos, é preciso lembrar toda o seu percurso, ao longo do qual considera que o histórico socialista “teve sempre razão”, como quando “promoveu os encontros que pressupunham estimular a esquerda a dialogar, a juntar forças”.

“É este o grande ensinamento de Mário Soares: sabermos ler em cada momento os desafios que nós temos e conseguir estar à altura deles”, desafiou.

JF // JPS

By Impala News / Lusa

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