Partidos assumem levar “caso de Tancos” novamente ao parlamento ao sexto dia de campanha

O “caso de Tancos” atingiu, ao sexto dia de campanha, novas proporções, com PSD e CDU a admitirem levar processo novamente à AR, CDS a reunir de emergência e BE a recusar especulações.

Partidos assumem levar

Partidos assumem levar “caso de Tancos” novamente ao parlamento ao sexto dia de campanha

O “caso de Tancos” atingiu, ao sexto dia de campanha, novas proporções, com PSD e CDU a admitirem levar processo novamente à AR, CDS a reunir de emergência e BE a recusar especulações.

Lisboa, 27 set 2018 (Lusa) — O “caso de Tancos” atingiu hoje, ao sexto dia de campanha, novas proporções, com PSD e CDU a admitirem levar o processo novamente à Assembleia da República, CDS-PP a reunir de emergência e BE a recusar entrar em especulações.

O “caso de Tancos” voltou a dominar a campanha para as eleições legislativas de 06 de outubro, depois de a acusação ter sido conhecida, na quinta-feira, e na qual o Ministério Público imputa ao ex-ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, os crimes de abuso de poder, denegação de justiça, prevaricação e favorecimento pessoal praticado por funcionário, além da proibição de exercício de funções.

A troca direta de palavras entre o presidente do PSD, Rui Rio, e o secretário-geral socialista, António Costa, prosseguiu ao sexto dia de campanha, com o social-democrata a recusar ter violado quaisquer princípios ao questionar se o também primeiro-ministro sabia do encobrimento do roubo de material militar dos paióis de Tancos.

“Se há característica minha é não só não ter mudado de princípios, como ser quase teimoso e ter uma fidelidade total aos meus princípios, afirmou o dirigente social-democrata.

Não ficando apenas pela resposta ao secretário-geral socialista, Rio assumiu que “ainda hoje ou segunda-feira” o PSD vai pedir a convocação de uma reunião da Comissão Permanente do parlamento, ressalvando, contudo, que esta posição não vai afetar futuros entendimentos entres os sociais-democratas e o PS.

Para Rui Rio, o processo de Tancos “não é uma questão exterior à política” e, além da posição dos socialistas ser “obviamente incómoda”, a de BE e PCP também não é “nada cómoda porque aprovaram um relatório na comissão de inquérito”.

Os centristas também não abandonaram o tema e a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, cancelou uma ação de campanha prevista para a manhã de sábado para reunir a comissão executiva, órgão mais restrito da direção de Cristas.

A dirigente afirmou que, “do que foi conhecido e dito pelos partidos”, depois de conhecido o despacho de acusação do Ministério Público, aumenta a “importância política e gravidade do tema”.

A coordenadora nacional bloquista, Catarina Martins, comentou o caso, enquanto marcava presença numa manifestação em defesa do ambiente, em Braga, alegando que a acusação do Ministério Público é “extraordinariamente grave”, mas recusou “fazer especulações” sobre quem tinha conhecimento do furto e reaparecimento do material militar.

Sobre as acusações de Rio, a dirigente do BE reiterou o que já tinha dito na quinta-feira, que o relatório foi aprovado com base nos factos que à altura se conheciam.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, também respondeu ao líder social-democrata, considerando que encontrou no processo de Tancos “uma boia de salvação”, para aproveitar politicamente o processo, mas mostrou-se disponível para aprovar uma nova comissão de inquérito.

“É uma evidência que a questão de Tancos assume uma grande relevância”, afirmou, mostrando também “toda a disponibilidade” para reunir a comissão permanente da Assembleia da República o mais breve possível, como sugeriu Rui Rio.

Dos partidos com assento parlamentar, apenas o PAN se demarcou da polémica, voltando atenções para a greve climática global que decorreu hoje em vários países, incluindo Portugal, e que também mobilizou candidatos e dirigentes de partidos como o Livre, o MPT (Movimento Partido da Terra) e MAS (Movimento Alternativa Socialista).

O porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza, André Silva, juntou-se à greve climática, em Lisboa, para falar daquilo que diz ser uma “incoerência entre aquilo que [partidos] dizem por um lado e aquilo que defendem no que toca a determinadas áreas de atividade económica”.

AFE (SMA/NS/HPG/JGA/JF) // ACL

By Impala News / Lusa

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