Partido Trabalhista dividido entre apoiar referendo sobre ‘Brexit’ antes ou depois de eleições

As diferenças dentro do Partido Trabalhista britânico sobre o ‘Brexit’ ficaram evidentes novamente hoje, quando o número dois do partido, Tom Watson, contradisse o líder, Jeremy Corbyn, propondo a realização de um referendo antes de eleições legislativas.

Partido Trabalhista dividido entre apoiar referendo sobre 'Brexit' antes ou depois de eleições

Partido Trabalhista dividido entre apoiar referendo sobre ‘Brexit’ antes ou depois de eleições

As diferenças dentro do Partido Trabalhista britânico sobre o ‘Brexit’ ficaram evidentes novamente hoje, quando o número dois do partido, Tom Watson, contradisse o líder, Jeremy Corbyn, propondo a realização de um referendo antes de eleições legislativas.

Num discurso em Londres, Watson argumentou que “não existe um bom acordo de saída” da União Europeia e propôs que o ‘Labour’ “defenda claramente a permanência” na UE num potencial referendo.

“A única maneira de romper o impasse do ‘Brexit’ de uma vez por todas é uma votação pública num referendo. Umas eleições nacionais podem falhar em resolver o caos do ‘Brexit'”, afirmou o vice-líder do principal partido da oposição.

Esta estratégia é diferente da apresentada na terça-feira por Jeremy Corbyn, durante a conferência da confederação sindical do Trades Union Congress (TUC), segundo a qual os trabalhistas negociariam um acordo para o “Brexit” e só depois convocariam um referendo.

Esta “votação pública”, como lhe chama o líder trabalhista, teria como opção um acordo “credível” negociado com Bruxelas ou a permanência do Reino Unido na UE.

Porém, Corbyn não foi claro qual será a posição oficial do partido caso venham a realizar-se eleições legislativas antes de um potencial referendo.

“A nossa prioridade é, primeiro, impedir uma saída sem acordo, e depois desencadear umas eleições nacionais”, vincou o líder trabalhista.

O Partido Trabalhista inviabilizou por duas vezes, abstendo-se, as propostas do Governo no parlamento para realizar eleições antecipadas a 15 de outubro, alegando desconfiar das intenções do primeiro-ministro, Boris Johnson.

“Ninguém pode confiar na palavra de um primeiro-ministro que está a ameaçar violar a lei para forçar uma saída sem acordo. As eleições nacionais vão acontecer, mas não permitiremos que Johnson dite as condições”, acrescentou.

O Governo, que perdeu a maioria no parlamento após a deserção e expulsão de vários deputados, pretendia ganhar um mandato dos eleitores para assegurar a saída do Reino Unido da União Europeia, na data prevista de 31 de outubro, com ou sem acordo.

A posição do Partido Trabalhista deverá ser afinada durante o seu congresso anual, que se realiza entre 21 e 25 de setembro em Brighton.

A ambiguidade que manteve até agora foi uma das razões apontadas pelos eleitores para votar noutros partidos a favor ou contra o ‘Brexit’ nas eleições locais e europeias de maio, favorecendo o Partido do Brexit, do eurocético Nigel Farage, e os pró-europeus Liberais Democratas.

Estima-se que um terço dos seus militantes tenha votado a favor do ‘Brexit’ no referendo de 2016, embora a maioria dos deputados e bases tenha feito campanha e prefira permanecer na UE.

BM // ANP

By Impala News / Lusa

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