Pandemia não afasta cabo-verdianos das urnas apesar de atrasos na abertura

A covid-19 não afastou os cabo-verdianos das mesas de voto e houve até quem antes de hora fizesse fila para ser o primeiro a votar hoje nas oitavas eleições municipais, apesar dos atrasos generalizados no arranque.

Pandemia não afasta cabo-verdianos das urnas apesar de atrasos na abertura

Pandemia não afasta cabo-verdianos das urnas apesar de atrasos na abertura

A covid-19 não afastou os cabo-verdianos das mesas de voto e houve até quem antes de hora fizesse fila para ser o primeiro a votar hoje nas oitavas eleições municipais, apesar dos atrasos generalizados no arranque.

Ainda não eram 07:00 (08:00 em Lisboa), hora prevista para a abertura das mesas de voto em todo o país, e Pascoal Fernandes já tinha atravessado a rua para votar numa das assembleias do bairro de Tira Chapéu, centro da Praia.

Aos 64 anos, este agricultor reformado garante que participou em todas as eleições que o país já realizou e nem os receios da pandemia o afastou, apesar de ter esperado quase uma hora para poder votar, o tempo necessário para que a higienização da sala de votação e das urnas — votação para a Assembleia Municipal e Câmara Municipal – fosse concluída, tal como aconteceu em várias assembleias.

“Aborrece. A hora, a pontualidade devia ser uma coisa praticada por todos”, critica, à conversa com a Lusa, depois de votar. Foi o primeiro na sua mesa de voto e já eram quase 08:00 locais.

Apesar de a idade o colocar no grupo de risco da covid-19, que já matou 94 pessoas em Cabo Verde, garante que a pandemia não o podia afastar de ir votar: “Não tive medo porque é a minha obrigação. É o meu dever de cidadão votar”.

No interior, todos os elementos da mesa usam fatos de proteção, máscaras, viseiras e luvas, e à entrada outra pessoa distribui álcool gel para higienização das mãos e máscaras para os eleitores que não têm.

Pascoal assume que há condições para votar, mas não esconde o receio com tudo o resto, num tempo em que a crise económica começa a agravar a realidade cabo-verdiana: “Estou muito apreensivo com a política”.

Nas eleições de hoje concorrem ao mandato de quatro anos 65 listas às Assembleias Municipais e 64 às Câmaras Municipais, das quais 53 de partidos políticos (de quatro partidos) e 12 de grupos de cidadãos, segundo dados da Comissão Nacional de Eleições (CNE) cabo-verdiana.

A algumas centenas de metros, na Escola Secundária Abílio Duarte, está formada uma das maiores assembleias de voto do país, com mesas distribuídas por quase todas as salas. Numa delas, Emanuel Furtado, 59 anos, cumpre o dever, depois de retirar a máscara para fazer a identificação na mesa de voto.

“Nunca falhei uma eleição porque é um ato de democracia, é dar voz ao povo. É muito importante”, assume.

O distanciamento social na fila de espera e o álcool gel à entrada da sala são medidas que também estavam a ser cumpridas, deixando Emanuel, na hora de votar, “mais seguro”.

“Cada um deve avaliar, ou então outros avaliam por nós. Devemos fazer o máximo possível para votar”, atira, explicando que o dia não era para ficar em casa.

“Ninguém sente medo do coronavírus”, afirma.

Noutra ala da mesma escola, Helena Rocha, empresária de 50 anos, confirma os atrasos na abertura das mesas de voto, mas diz-se confiante.

“Foi tudo preparado, acho que as pessoas não devem ter medo. Tem todas as condições para as pessoas votarem com segurança”, explica, depois de votar, sempre com o seu próprio frasco de álcool gel nas mãos.

Confessa que “gosta sempre” de dar a opinião, daí que hoje tinha mesmo de ir votar, apesar de tudo o que ouve falar sobre a pandemia.

“Então, eu tenho de votar para poder ter legitimidade para dar a minha opinião”, defende.

Mais de 330 mil eleitores são chamados hoje às urnas, em Cabo Verde, para escolher os autarcas dos 22 concelhos do país, nas oitavas eleições municipais do arquipélago e que antecedem as eleições legislativas e presidenciais de 2021.

Ainda no centro da Praia, a Escola Técnica Cesaltina Ramos, na Achada de Santo António, é outra das principais assembleias de voto da capital.

Foi ali que Ivete Lima, de 44 anos, técnica de recursos humanos, votou, admitindo que também após alguma espera pela abertura da mesa.

“Exerci o meu direito de voto para contribuir para a democracia do nosso país”, garante.

Assume ter cuidados redobrados devido à pandemia, que também os viu no local de voto, mas não deixou de apontar críticas: “Percebi que houve algum atraso no início da votação e uma pequena desorganização”.

Ainda assim, deixou o local satisfeita com as condições em que exerceu a votação, que em todo o país se prolonga até às 18:30 (19:30 em Lisboa).

“Temos de saber conviver com o vírus. Sermos responsáveis e vir aqui votar para a nossa democracia”, atira.

Para esta votação estão inscritos 337.083 eleitores, distribuídos por 864 mesas de voto em todo o arquipélago, um aumento de 34.073 eleitores (+11%) face às eleições municipais anteriores, em 2016.

A Praia concentra 306 mesas de voto e 86.180 eleitores para a votação de hoje, segundo os dados da CNE.

A abertura das urnas foi antecipada uma hora em relação ao habitual, devido às medidas de prevenção da covid-19, numa altura em que o arquipélago regista um acumulado de 8.322 casos diagnosticados desde 19 de março.

As últimas autárquicas aconteceram em 04 de setembro de 2016, em que o Movimento para a Democracia (MpD) venceu com os seus próprios candidatos 18 das 22 Câmaras Municipais, mais cinco do que nas autárquicas de 2012, enquanto o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) ganhou duas e outras duas foram conquistadas por independentes.

O ciclo eleitoral que se iniciou este mês em Cabo Verde deverá prolongar-se por um ano, prevendo a realização de eleições legislativas em março e presidenciais no segundo semestre de 2021.

PVJ // VM

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS