PAM avisa que ficará sem alimentos para distribuir na Etiópia dentro de três dias

O Programa Alimentar Mundial anunciou hoje que ficará na sexta-feira sem alimentos para distribuir em Tigray, a região da Etiópia em conflito armado entre o Governo central e as autoridades locais desde novembro passado.

PAM avisa que ficará sem alimentos para distribuir na Etiópia dentro de três dias

PAM avisa que ficará sem alimentos para distribuir na Etiópia dentro de três dias

O Programa Alimentar Mundial anunciou hoje que ficará na sexta-feira sem alimentos para distribuir em Tigray, a região da Etiópia em conflito armado entre o Governo central e as autoridades locais desde novembro passado.

O diretor-executivo desta agência das Nações Unidas, David Beasley, disse, no Twitter, que são necessários 100 camiões por dia para alimentar a população que a sua agência se propôs alimentar em Tigray, e que 170 camiões que se dirigem para lá estão agora bloqueados na região vizinha de Afar e não são autorizados a continuar a sua rota.

Afar e outras áreas limítrofes de Tigray foram recentemente atingidas por este conflito e foram atacadas pelas Forças de Defesa rebeldes de Tigray (TPLF).

Beasley exigiu que os camiões detidos fossem autorizados a continuar a sua viagem porque as pessoas em Tigray não têm nada para comer.

Em Genebra, a Organização Mundial da Saúde (OMS) denunciou a pilhagem e destruição de instalações de saúde em Tigray, que está a deixar centenas de milhares de pessoas – incluindo feridos e outras vítimas diretas da guerra – sem cuidados médicos.

Os trabalhadores da saúde estão também a ser visados, com um total de 140 incidentes, que vão desde mortes a violência, assédio, restrições à circulação e ameaças.

“Embora os trabalhadores da saúde estejam a regressar ao trabalho, estão a regressar a instalações com poucos recursos, tornando quase impossível o seu trabalho, e as restrições à transferência de dinheiro estão a impedi-los de receber os seus salários”, disse a porta-voz da OMS, Fadela Chaib.

Entretanto, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados manifestou a sua preocupação com o destino de cerca de 24.000 refugiados eritreus que se encontram presos há meses em dois campos em Tigray, com os combates entre grupos armados a intensificarem-se não só em torno dos locais, mas também dentro deles.

O conflito nesta região começou em 04 de novembro quando o Governo central lançou uma ofensiva contra a TPLF, que tinha governado a região até então, após uma escalada de tensões políticas nos meses anteriores e como retaliação a um ataque a uma base militar federal.

Em 28 de junho, a Etiópia declarou um “cessar-fogo humanitário unilateral” mas, embora o exército se tenha retirado de várias cidades (incluindo Mekele), forças da vizinha região de Amhara anexaram de facto Tigray ocidental, onde o acesso humanitário está bloqueado.

Embora tenha havido algumas melhorias desde junho, segundo as últimas informações do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), o movimento de entrada e saída da região norte continua a ser “extremamente complicado”, tornando o reabastecimento de abastecimentos e pessoal muito difícil.

Segundo a OCHA, cerca de 75% das pessoas que necessitam de assistência humanitária – cerca de 4 milhões em cerca de 5,2 milhões – encontram-se agora em áreas acessíveis, em comparação com 30% em maio.

Desde que a guerra começou, milhares de pessoas foram mortas, quase dois milhões foram deslocadas internamente na região e pelo menos 75.000 etíopes fugiram para o vizinho Sudão, de acordo com números oficiais.

VM // PJA

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS