Países que apoiam Ucrânia devem preparar-se para longo prazo

A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Liz Truss, defendeu hoje que os países que apoiam a Ucrânia devem “preparar-se para o longo prazo” e que não deve falar-se em “apaziguar” o Presidente russo, Vladimir Putin.

Países que apoiam Ucrânia devem preparar-se para longo prazo

Países que apoiam Ucrânia devem preparar-se para longo prazo

A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Liz Truss, defendeu hoje que os países que apoiam a Ucrânia devem “preparar-se para o longo prazo” e que não deve falar-se em “apaziguar” o Presidente russo, Vladimir Putin.

“Temos de assegurar que a Ucrânia ganha e a Rússia retira e que nunca mais voltaremos a ver este tipo de agressão russa, declarou a chefe da diplomacia do Reino Unido, após uma reunião com o seu homólogo checo, em Praga. Na sua opinião, “não deve haver qualquer debate sobre cessar-fogo ou apaziguar Putin”.

Segundo Truss, a Ucrânia precisa de receber mais armamento pesado e gradualmente ser alvo de uma atualização para receber “equipamento ao nível do da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte)”. “Neste momento, eles (os ucranianos) estão a usar muito equipamento ex-soviético. Temos de certificar-nos de que eles serão capazes de se defender no futuro”, frisou a ministra britânica.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, está a apelar aos países ocidentais para fornecerem precisamente mais armamento pesado a Kiev para lhe permitir obrigar as forças russas a recuar. “Precisamos de artilharia pesada. O único aspeto em que a Rússia está melhor que nós é na quantidade de artilharia pesada que tem. Sem artilharia, sem sistemas de lançamento múltiplo de ‘rockets’, não conseguiremos expulsá-los”, declarou Kuleba num vídeo que divulgou na quinta-feira à noite em resposta a perguntas que lhe tinham sido colocadas na rede social Twitter.

O chefe da diplomacia ucraniana afirmou que a situação no leste do país, onde as forças russas realizam uma ofensiva, “é tão dramática como as pessoas a descrevem”. “Diria mesmo que é até pior do que as pessoas dizem. Precisamos de armas. Se realmente se importam com a Ucrânia, enviem armas, armas e mais armas”, insistiu.

A ofensiva militar lançada na madrugada de 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas – mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,6 milhões para os países vizinhos –, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto. A ONU confirmou hoje que 4.031 civis morreram e 4.735 ficaram feridos na guerra, que hoje entrou no seu 93.º dia, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.

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