Organizações humanitárias condenam recorde de execução de 81 pessoas num dia pela Arábia Saudita

As organizações humanitárias Amnistia Internacional e Human Rights Watch condenaram hoje a execução de 81 pessoas num só dia pela Arábia Saudita, considerando uma “terrível escalada” do uso da pena de morte e “uma demonstração brutal do regime autocrático”.

Organizações humanitárias condenam recorde de execução de 81 pessoas num dia pela Arábia Saudita

Organizações humanitárias condenam recorde de execução de 81 pessoas num dia pela Arábia Saudita

As organizações humanitárias Amnistia Internacional e Human Rights Watch condenaram hoje a execução de 81 pessoas num só dia pela Arábia Saudita, considerando uma “terrível escalada” do uso da pena de morte e “uma demonstração brutal do regime autocrático”.

A execução, realizada na sexta-feira passada, “é sintoma de uma terrível escalada da utilização da pena de morte” naquele país árabe, lamentou a Amnistia Internacional, referindo que, com estas mortes, o número de condenados a quem a pena de morte foi aplicada este ano ascende a 92 pessoas.

Além disso, adiantou a organização, ainda há pelo menos mais 30 condenados que aguardam no corredor da morte.

Para a Human Rights Watch (HRW), a situação constitui uma “demonstração brutal do regime autocrático” da Arábia Saudita, até porque é “muito improvável” que estas pessoas tenham recebido um julgamento justo.

Referindo que mais da metade dos homens executados eram da minoria xiita, “que há muito sofre discriminação sistémica”, a HRW sublinhou que este foi o maior número de execuções anunciadas num único dia no país, superando as 69 aplicações da pena de morte em 24 horas registadas em 2021.

De acordo com a Amnistia Internacional, os 81 homens executados – incluindo sete iemenitas e um sírio – foram condenados por crimes como terrorismo, “alteração do tecido social e da coesão nacional” e “participação e incitação de protestos”.

“Este festival de execuções é ainda mais chocante à luz do sistema judicial saudita profundamente errado, que distribui sentenças de morte com base em julgamentos grosseiros e descaradamente injustos”, disse a vice-diretora da Amnistia para o Médio Oriente e Norte da África, Lynn Maalouf.

Entre as principais irregularidades desses julgamentos conta-se o facto de basear as sentenças em “confissões” obtidas através de torturas ou outros maus-tratos, lembrou.

Apesar de o número ser chocante, a responsável admitiu que o número real “deve ser muito maior”, enquanto a agência oficial de notícias saudita, a SPA, noticiou hoje uma nova execução de um homem condenado por assassinato.

A Amnistia também assegurou que pelo menos dois dos 81 executados foram condenados por “crimes relacionados com a participação em protestos contra o Governo”.

No seu último relatório anual sobre a pena de morte no mundo, a Amnistia contabilizou 27 execuções pela Arábia Saudita em 2020, o que representa uma diminuição significativa em relação às 184 registadas em 2019.

“A chocante insensibilidade do tratamento [dado pela Arábia Saudita] é agravada pelo facto de muitas famílias saberem da morte de seus entes queridos como o resto de nós, depois de consumada e através da imprensa”, criticou o vice-diretor da HRW para o Médio Oriente, Michael Page.

De acordo com Riade, os homens executados foram condenados depois de julgamentos supervisionados por um total de 13 juízes.

Mas para a HRW, “é altamente improvável que qualquer um desses homens tenha recebido um julgamento justo”, dados “os abusos generalizados e sistémicos do sistema de justiça criminal saudita”.

A alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, também expressou preocupação com potenciais violações do direito internacional que a Arábia Saudita esteja a cometer e referiu que a situação poderá mesmo constituir crimes de guerra.

PMC // JH

By Impala News / Lusa

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