Óbito/Sampaio: Manuel Alegre enaltece “visão de estadista” fulcral para o Portugal democrático

O antigo dirigente socialista Manuel Alegre lamentou hoje “com mágoa” a morte do antigo Presidente da República Jorge Sampaio e enalteceu a “visão de estadista” de uma figura que considerou fulcral na construção do Portugal democrático.

Óbito/Sampaio: Manuel Alegre enaltece

Óbito/Sampaio: Manuel Alegre enaltece “visão de estadista” fulcral para o Portugal democrático

O antigo dirigente socialista Manuel Alegre lamentou hoje “com mágoa” a morte do antigo Presidente da República Jorge Sampaio e enalteceu a “visão de estadista” de uma figura que considerou fulcral na construção do Portugal democrático.

Contactado pela agência Lusa, Manuel Alegre reagiu “com mágoa” à morte de “um amigo” que conhece “há 60 e tal anos”.

“Quando o conheci, há 60 e tal anos, numa assembleia magna muito tensa e difícil, realizada no velho Palácio dos Grilos, em Coimbra. Eu ia subir à tribuna e senti uma pancada nas costas. Voltei-me e vi-o, com o cabelo muito ruivo ainda, a dizer-me: ‘Eu venho de Lisboa e trago-vos a nossa solidariedade, em nome da Reunião Inter-Associações (RIA)'”, recordou o também antigo candidato presidencial.

Jorge Sampaio foi, sustentou, uma das principais figuras da “consolidação da democracia portuguesa”.

Manuel Alegre lembrou o também antigo secretário-geral do PS como uma pessoa que “não era exaltada, às vezes enervava-se, sabia construir pontes e tinha uma visão política moderna” sobre o país, assim como uma “visão estratégica sobre a posição de Portugal no mundo”.

“Na minha opinião, foi o Presidente que melhor exemplificou os dois poderes que tem um Presidente, quando decidiu não dissolver a Assembleia [da República] e nomear o então primeiro-ministro Santana Lopes, porque havia uma maioria, e quando depois, por razões de estabilidade política, decidiu dissolvê-la”, disse Manuel Alegre, acrescentando que este exemplo mostra a “visão lúcida própria, muito autónoma” e também “de estadista” de Sampaio.

A visão de Jorge Sampaio sobre Portugal, sustentou Manuel Alegre, já estava espelhada quando eram mais novos: “Estivemos juntos nas lutas estudantis, estivemos juntos na luta antifascista e anticolonial, mesmo quando estava no exílio ele manteve sempre contacto com aqueles que estavam em Argel, em Paris, em vários pontos do mundo, participou, de uma maneira ou de outra, em todos os combates significativos pela democracia portuguesa antes do 25 de Abril, na luta contra a ditadura”.

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu hoje aos 81 anos, disse à agência Lusa fonte da família.

O ex-chefe de Estado estava internado desde dia 27 de agosto no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, com dificuldades respiratórias.

Sampaio estava no Algarve, mas após sentir dificuldades respiratórias, e “dado o seu historial de doente cardíaco”, foi transferido para Lisboa, disse na altura com fonte do seu gabinete.

Jorge Sampaio, 81 anos, foi Presidente da República durante dois mandatos, entre 1996 e 2006.

Em 1989 foi eleito líder do Partido Socialista e na mesma altura foi eleito presidente da Câmara de Lisboa, tendo sido reeleito em 1993.

Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e entre 2007 e 2013 foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Atualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens para trás sem acesso à educação.

Jorge Fernando Branco de Sampaio desempenhou, ao logo da sua vida, os mais altos cargos políticos no país.

Iniciou o seu percurso, ainda estudante, como um dos protagonistas, na Universidade de Lisboa, da crise académica do princípio dos anos 60, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo, até ao 25 de Abril de 1974.

Homem de esquerda e advogado de formação, defendeu casos célebres, como a defesa dos réus do assalto ao Quartel de Beja, o caso da `Capela do Rato’, em que foram presas dezenas de pessoas que protestaram contra a guerra colonial

Depois do 25 de Abril de 1974, militou em formações de esquerda, como o MES, onde se cruzou com Ferro Rodrigues, ex-líder do PS atual presidente do parlamento, e só aderiu ao partido fundado por Mário Soares em 1978.

Mais tarde, foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).

AFE (SF/NS/LM/FPA) // sf

By Impala News / Lusa

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