Óbito/Sampaio: Joaquim Chissano recorda “humanismo” e compromisso com “os direitos humanos”

O antigo Presidente moçambicano, Joaquim Chissano, recordou hoje à Lusa o “humanismo” de Jorge Sampaio, assinalando que o falecido chefe de Estado português se preocupava com “os direitos humanos e com os outros”.

Óbito/Sampaio: Joaquim Chissano recorda

Óbito/Sampaio: Joaquim Chissano recorda “humanismo” e compromisso com “os direitos humanos”

O antigo Presidente moçambicano, Joaquim Chissano, recordou hoje à Lusa o “humanismo” de Jorge Sampaio, assinalando que o falecido chefe de Estado português se preocupava com “os direitos humanos e com os outros”.

“As atividades que ele levou [a cabo] mostraram essa parte do humanismo dele. Ele era humanista. Portanto, são qualidades que nós vamos sempre prezar”, afirmou Chissano, em declarações à Lusa, ao telefone.

O antigo Presidente moçambicano destacou o compromisso de Jorge Sampaio com os direitos humanos e com o bem-estar de todos.

“Não olhava somente para os interesses de Portugal, também olhava para os interesses da outra parte e eu penso que era uma característica dele no seu trato com outras pessoas, a nível individual. Não é por acaso que ele se ocupou dos direitos humanos”, enfatizou Chissano.

O ex-Presidente moçambicano afirmou que sempre viu um senso de justiça em Jorge Sampaio, nos vários encontros em que ambos participaram, nas diferentes fases da sua trajetória política.

“Eu tive a oportunidade e prazer de conhecê-lo. Primeiro, quando ele estava empenhado na busca de soluções para os problemas pendentes, depois da assinatura dos Acordos de Lusaca [entre o Governo colonial português e a Frente de Libertação de Moçambique], em relação ao que seriam as relações económicas [entre Moçambique e Portugal]”, enfatizou Joaquim Chissano.

Depois da independência de Moçambique, Jorge Sampaio empenhou-se na busca de soluções para os diferendos entre os dois países, com toda a amizade e com todo o sentido de responsabilidade, e respeitando a soberania do Estado moçambicano, acrescentou Joaquim Chissano.

A postura de Jorge Sampaio, prosseguiu, ajudou a forjar as relações de amizade entre o povo português e o moçambicano.

“Convivi com ele quando era Presidente da República e tive a oportunidade de acolhê-lo em visita à República de Moçambique e ele continuou firme nas negociações das questões da independência e também da Hidroelétrica de Cahora Bassa”, enfatizou.

A reversão da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) de Portugal para Moçambique permaneceu como um diferendo que transitou do período colonial português até à passagem da infraestrutura para o domínio do Estado africano.

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu hoje aos 81 anos, no hospital de Santa Cruz, em Lisboa.

Antes do 25 de Abril de 1974, foi um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 1960, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo, tendo, como advogado, defendido presos políticos durante a ditadura.

Jorge Sampaio foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).

Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e, entre 2007 e 2013, foi alto-representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Atualmente, presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens sem acesso à educação.

 

LYN // VM

Lusa/Fim

 

 

By Impala News / Lusa

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