Número de migrantes mortos ou desaparecidos a tentar alcançar Espanha cai para metade

Pelo menos 978 pessoas morreram ou desapareceram no mar, durante a primeira metade do ano, quando tentavam chegar a Espanha, o que representa uma queda para cerca de metade relativamente a 2021, anunciou hoje a organização espanhola Caminando Fronteras.

Número de migrantes mortos ou desaparecidos a tentar alcançar Espanha cai para metade

Número de migrantes mortos ou desaparecidos a tentar alcançar Espanha cai para metade

Pelo menos 978 pessoas morreram ou desapareceram no mar, durante a primeira metade do ano, quando tentavam chegar a Espanha, o que representa uma queda para cerca de metade relativamente a 2021, anunciou hoje a organização espanhola Caminando Fronteras.

No mesmo período do ano passado, o número de migrantes mortos e desaparecidos na travessia até às costas espanholas atingiu os 2.087.

O decréscimo agora verificado é explicado pela organização com o facto de 2021 ter sido “particularmente mortífero”, já que foi nesse ano que as fronteiras reabriram depois da pandemia de covid-19.

Além disso, acrescentou a Caminando Fronteras, o número de migrantes saídos da costa marroquina abrandou, num contexto de normalização das relações diplomáticas entre Rabat e Madrid.

Segundo a organização – que estabelece esta avaliação com base em chamadas telefónicas de emergência dos migrantes ou dos seus familiares, cruzadas com fontes oficiais e associativas -, a maioria das pessoas (87,8%) nunca foram encontradas, pelo que são contabilizadas como desaparecidas.

Entre as pessoas identificadas, com origem em cerca de 20 países africanos, constavam 118 mulheres.

A Caminando Fronteras referiu ainda que a maioria dos migrantes (800 pessoas) desapareceu a tentar chegar ao arquipélago das Canárias a partir do noroeste de África, uma rota particularmente perigosa e muito mais utilizada nos últimos anos devido aos controlos reforçados no Mediterrâneo.

O relatório da organização não-governamental (ONG) espanhola denuncia também a falta de recursos e de coordenação dos serviços de resgate marítimo nos diversos países da região e afirma existir uma “política mortífera de controlo migratório”, apontando, em particular, a recente tragédia em Melilla, um enclave espanhol localizado no norte de Marrocos.

No dia 24 de junho, pelo menos 23 migrantes morreram na fronteira de Melilla, quando cerca de 2.000 pessoas tentaram cruzar de forma irregular a cerca que marca a fronteira do enclave, segundo as autoridades marroquinas.

As organizações de direitos humanos referem um número superior de mortos, admitindo pelo menos 37 vítimas mortais.

Num relatório hoje apresentado, a Associação Marroquina para os Direitos Humanos (AMDH) indicou que pelo menos 27 pessoas morreram e outras 64 estão dadas como desaparecidas na sequência dos incidentes em Melilla.

O número de chegadas por via marítima a Espanha, que é um dos principais pontos de entrada de migrantes sem documentos na Europa, caiu um terço (35,7%) entre o primeiro e o segundo trimestre, segundo um cálculo feito pela agência de notícias francesa AFP com base em números do Ministério do Interior espanhol.

PMC // SCA

By Impala News / Lusa

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