Novo Banco: ASF “não apurou” ligação entre compradores da GNB Vida e Greg Lindberg

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) afirmou hoje que não observou nenhuma ligação entre os compradores da GNB Vida, seguradora do Novo Banco, e Greg Lindberg, gestor acusado de corrupção nos Estados Unidos.

Novo Banco: ASF

Novo Banco: ASF “não apurou” ligação entre compradores da GNB Vida e Greg Lindberg

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) afirmou hoje que não observou nenhuma ligação entre os compradores da GNB Vida, seguradora do Novo Banco, e Greg Lindberg, gestor acusado de corrupção nos Estados Unidos.

“A ASF, nas múltiplas diligências efetuadas, antes e após a referida deliberação de não oposição [à operação de compra da GNB Vida], não apurou qualquer ligação entre Greg Evan Lindberg e o grupo adquirente da GNB – Companhia de Seguros de Vida, S.A.”, pode ler-se numa nota de imprensa enviada hoje pela ASF às redações.

O supervisor dos seguros afirma que Greg Lindberg e a sociedade GBIG [Global Bankers Insurance Group] Portugal informaram que “um fundo gerido pela Apax Partners LLP pretendia adquirir a GBIG Portugal S.A. e, consequentemente, Greg Evan Lindberg não seria o beneficiário último da operação”, bem como a estrutura acionista prevista para a GNB Vida não “seria aquela que tinha sido apresentada no processo inicial”.

“Assim, o Conselho de Administração, face ao requerimento apresentado, deliberou declarar, a extinção, por desistência, do procedimento de avaliação […] da intenção de Greg Evan Lindberg e da sociedade GBIG Portugal, S.A., de aquisição do controlo acionista da GNB — Companhia de Seguros de Vida, S.A”, pode ler-se na nota da entidade dirigida por Margarida Corrêa de Aguiar.

No processo inicial, segundo a ASF, foram consultados “diversos supervisores de seguros com os quais o grupo financeiro controlado por Greg Evan Lindberg [o GBIG] tinha relação, em particular os supervisores de Malta, Itália, Holanda, Reino Unido, Luxemburgo, Bermuda, Carolina do Norte e Michigan”.

Na sequência dessas diligências, a ASF tomou “conhecimento de diversas acusações de natureza penal relativamente a Greg Evan Lindberg”.

No entanto, devido à aquisição, por parte da Apax, da empresa que viria a comprar a GNB Vida, o supervisor não estabeleceu relação entre a GBIG Portugal e Greg Lindberg.

Posteriormente, a ASF recebeu, em 14 de maio de 2019, “uma comunicação prévia de aquisição de participação qualificada na GNB – Companhia de Seguros de Vida, S.A., subscrita pela GBIG Portugal, S.A., e Apax IX GP Co. Limited”, já sem Greg Lindberg.

A ASF afirma que consultou os reguladores de Guernsey (dependência britânica no Canal da Mancha, ‘paraíso fiscal’), do Reino Unido, dos Países Baixos, de Itália, da Alemanha e de França na sequência do segundo processo, acabando por não se opor à aquisição da GNB Vida e por não estabelecer ligação entre o comprador e Greg Lindberg.

O regulador afirma ainda que “caso se venha a apurar que o titular de uma participação qualificada numa empresa de seguros não preenche os requisitos de idoneidade que garantam a sua gestão sã e prudente, pode a ASF determinar a inibição do exercício dos direitos de voto integrantes dessa mesma participação (…) ou, no limite, revogar a autorização para o exercício da atividade seguradora”.

“A atuação da ASF em todos os processos sob sua avaliação pauta-se pelo rigor, transparência e independência na análise de factos cumprindo escrupulosamente a lei. Esta Autoridade não desenvolve as suas atribuições e missão com base em boatos nem em suspeições casuísticas sem elementos de prova factuais e comprováveis”, conclui a nota do regulador presidido por Margarida Corrêa de Aguiar.

O Novo Banco vendeu em outubro uma seguradora com desconto de quase 70% a fundos geridos pela Apax, operação que gerou uma perda de 268,2 milhões e foi compensada com verba do Fundo de Resolução, noticia hoje o jornal Público.

Em setembro de 2018, o banco de António Ramalho tinha comunicado ao mercado que a GNB Vida tinha sido vendida por 190 milhões de euros à Bankers Insurance Holdings, pertencente ao Global Bankers Insurance Group, detido por Greg Lindberg.

Contudo, o negócio entrou em compasso de espera depois de se ter tornado público que Lindberg estava a ser investigado por fraude fiscal, corrupção e pagamentos indevidos ao Partido Republicano a troco de benefícios regulatórios para o Global Bankers, escreve ainda o jornal.

O Público associa, contudo, os currículos dos gestores da GamaLife (nova designação da GNB Vida) a Greg Lindberg, apelidando o “principal executivo” Matteo Castelvetri de “braço direito” de Lindberg na Europa, mencionando ainda que o número dois, Alistair Wallace Bell, foi director de estratégia e de operações do GBIG para a Europa, sendo agora ambos parceiros na antiga GNB Vida.

JE (SO) // MSF

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS