Nigel Farage disposto a fazer pacto se Boris Johnson abandonar acordo do ‘brexit’

O político eurocético manifestou-se hoje aberto a um pacto com o partido Conservador se o primeiro-ministro abandonar o acordo negociado com Bruxelas para permitir uma saída ordenada da UE.

Nigel Farage disposto a fazer pacto se Boris Johnson abandonar acordo do 'brexit'

Nigel Farage disposto a fazer pacto se Boris Johnson abandonar acordo do ‘brexit’

O político eurocético manifestou-se hoje aberto a um pacto com o partido Conservador se o primeiro-ministro abandonar o acordo negociado com Bruxelas para permitir uma saída ordenada da UE.

Londres, 01 out 2019 (Lusa) – O político eurocético britânico Farage manifestou-se hoje aberto a fazer um pacto com o partido Conservador se o primeiro-ministro, Boris Johnson, abandonar o acordo negociado com Bruxelas para permitir uma saída ordenada da União Europeia.

“Deixe cair o acordo, porque não representa o ‘Brexit'”, disse hoje, no lançamento da campanha do Partido do Brexit para as eleições legislativas de 12 de dezembro.

Farage, que defende um divórcio sem acordo, disse estar disposto a um entendimento se Johnson se comprometer a, no futuro relacionamento, negociar um acordo de comércio livre com a UE semelhante ao do Canadá, sem alinhamento com as regras europeias.

O líder do Partido do Brexit sugere que Johnson estipule o dia 01 de julho de 2020 como prazo para assinar esse acordo de comércio livre e sugere que, se não for alcançado até lá, o Reino Unido deveria sair da União Europeia e recorrer à Organização Mundial do Comércio.

“Se o Boris estiver disposto a fazer isso, penso que seria razoável”, afirmou.

De acordo com Farage, a única forma de resolver [o processo do Brexit] é com uma aliança política dos partidos determinados na saída britânica da UE, o que proporcionaria a Boris Johnson “uma maioria muito grande”.

Se o partido Conservador não aceitar uma coligação, que resultaria em candidatos únicos, o atual eurodeputado garante ter condições para apresentar candidatos a deputados em todos os 650 círculos uninominais do país, incluindo ele próprio.

O Partido do Brexit foi fundado no início deste ano para pressionar o governo conservador a romper com a UE e foi o mais votado nas eleições europeias de maio, com 31,6% dos votos, alegando 29 eurodeputados.

Porém, ainda não tem assento na Câmara dos Comuns, tendo falhado na eleição parcial em Peterborough por 683 votos, lugar que acabou por ser ganho pela trabalhista Lisa Forbes.

O partido disse anteriormente pretender focar-se nas regiões de eleitorado tradicionalmente trabalhista, no norte e centro de Inglaterra, para tentar beneficiar da insatisfação com a posição do ‘Labour’ relativamente ao ‘Brexit’.

O partido Conservador já disse várias vezes que não pretende fazer pactos com Farage.

“Não estamos interessados em fazer pactos com o Partido do Brexit ou com mais ninguém”, afirmou hoje o secretário das Comunidades, Robert Jenrick, em declarações à BBC, afirmando que o objetivo é ganhar as eleições.

Nos últimos meses, Boris Johnson disse que “preferia estar morto numa valeta” do que adiar a saída do Reino Unido da UE e reafirmou que o ‘Brexit’ se concretizaria a 31 de outubro, “acontecesse o que acontecesse”.

Porém, esta semana o Reino Unido acabou por aceitar um novo prolongamento do processo para o ‘Brexit’, que estava previsto terminar na quinta-feira, mas que agora pode ser concluído até 31 de janeiro.

As eleições legislativas são vistas como uma forma de romper o impasse no parlamento, que chumbou três vezes um acordo negociado por Theresa May e recusou aprovar em três dias o acordo negociado por Boris Johnson, inviabilizando assim a saída no final de outubro.

O acordo protege os direitos dos cidadãos europeus e britânicos, estipula uma compensação financeira do Reino Unido e inclui um protocolo para evitar uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda.

Na Declaração Política que acompanha o acordo e que contém orientações para as futuras relações entre o Reino Unido e UE, refere o objetivo de negociar um “acordo de comércio livre”, mas inclui compromissos de manter um alinhamento regulatório em certas matérias.

BM // FPA

By Impala News / Lusa

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