Nagorno-Karabakh decreta lei marcial e Rússia acusa Baku de violar cessar-fogo

O presidente da autoproclamada república de Nagorno-Karabakh decretou hoje a lei marcial, após a Arménia ter acusado o Azerbaijão de ter “invadido” a área controlada pelas forças de manutenção da paz russas desde a guerra no outono de 2020.

Nagorno-Karabakh decreta lei marcial e Rússia acusa Baku de violar cessar-fogo

Nagorno-Karabakh decreta lei marcial e Rússia acusa Baku de violar cessar-fogo

O presidente da autoproclamada república de Nagorno-Karabakh decretou hoje a lei marcial, após a Arménia ter acusado o Azerbaijão de ter “invadido” a área controlada pelas forças de manutenção da paz russas desde a guerra no outono de 2020.

Segundo a Artsakh Press, Arayik Harytyunjan decretou restrições ao movimento e às liberdades sob a lei marcial no território reconhecido internacionalmente como pertencendo ao Azerbaijão, mas disputado pela Arménia.

De acordo com a versão arménia, a “invasão” das forças armadas do Azerbaijão começou a 24 de março na localidade de Paruj, na região de Askeran, o que Baku negou.

O Ministério da Defesa de Nagorno-Karabakh indicou através da rede social Twitter que três soldados do seu exército morreram e 14 ficaram feridos.

A Rússia, através de um comunicado do Ministério da Defesa, também acusou hoje o Azerbaijão de violar o acordo de cessar-fogo com a Arménia, assinado após a guerra de 2020, que Baku venceu.

No comunicado, a Rússia refere que, “entre 24 e 25 de março, as forças armadas do Azerbaijão violaram o acordo trilateral dos líderes da Rússia, Azerbaijão e Arménia, entrando na zona sob a responsabilidade do contingente russo de manutenção da paz em Nagorno-Karabakh”.

O Ministério da Defesa do Azerbaijão, por seu turno, disse que “membros do destacamento arménio ilegal”, referindo-se ao exército de Nagorno-Karabakh, “tirando partido das condições meteorológicas nebulosas e visibilidade limitada, tentaram cometer [hoje] provocações contra as unidades do exército do Azerbaijão”.

Baku declarou ainda que não há baixas no exército do Azerbaijão e que “tem a situação operacional sob controlo”.

Na sexta-feira, o Azerbaijão tinha negado a ocorrência de combates na zona de Paruj, indicando estar a efetuar um processo de “precisão” de pontos de estacionamento de tropas “sem a utilização da força”.

Moscovo disse ainda que “o comando das forças de paz russas está a tomar medidas para resolver a situação e devolver as tropas à sua posição original”.

Segundo a cláusula 1 sobre o cessar-fogo, assinado entre a Rússia e a Arménia com mediação da Rússia, as forças das duas partes devem manter-se nas posições que ocupavam no momento da assinatura do documento.

Na sequência da guerra no outono de 2020, Erevan perdeu o controlo de mais de dois terços dos territórios do Nagorno- Karabakh e arredores, que controlava desde a década de 1990.

A Arménia e o Azerbaijão, ex-repúblicas soviéticas do Cáucaso do Sul, declararam a independência em 1991.

O Nagorno-Karabakh, região em território azeri, hoje habitada quase exclusivamente por arménios (cristãos ortodoxos), declarou a independência do Azerbaijão muçulmano após uma guerra no início da década de 1990, que provocou cerca de 30.000 mortos e centenas de milhares de refugiados.

Na sequência dessa guerra, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite a mediação do Grupo de Minsk (Rússia, França e EUA), constituído no seio da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), mas as escaramuças armadas continuaram a ser frequentes.

Este recente aumento da tensão ilustra o precário equilíbrio que prevalece entre os dois países rivais, apesar da presença na região de soldados das forças de manutenção de paz russas, enviadas em novembro de 2020 no âmbito do cessar-fogo negociado pelo Presidente Vladimir Putin.

SV (JML/PCR) // PAL

By Impala News / Lusa

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